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DIRETRIZES DE GOVERNO

11/02/2012

Diretrizes de Governo - Diversidade Sociocultural e Ambiental

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Diversidade é um valor superior para a vida. Promovê-la na centralidade das políticas públicas é investir no aprofundamento da democracia e na sustentabilidade do Brasil, assim como na originalidade da nossa contribuição para o equilíbrio da vida no planeta. O Brasil é chamado de megadiverso por sua biodiversidade e sua diversidade de ecossistemas, mas o deveria ser graças à sua sociodiversidade.

Somos um povo formado por muitos povos, muitas culturas. Além dos 233 povos indígenas e dos quilombolas, com direitos reconhecidos na Constituição, estima-se em mais de 8 milhões o número de brasileiros que se reconhecem como povos e comunidades tradicionais. A eles se somam dezenas de culturas e identidades vindas com os imigrantes europeus, africanos, asiáticos e de todas as Américas.

Mas nossa diversidade não para por aí. Não podemos nos reivindicar uma sociedade plural se não assumirmos de forma integral o direito à diversidade de orientações sexuais, se não considerarmos as pessoas com deficiência e se não tivermos políticas que abracem a diversidade de direitos e necessidades da juventude e da terceira idade.

Para um Brasil justo e democrático, temos de levar em conta a existência de muitos povos, culturas, comportamentos e necessidades, cada qual com sua própria realidade e situação. Isso exige do Estado, para além da universalização do acesso às políticas públicas, a criação de estruturas adaptadas ao respeito às diferenças.

a. Implementar a Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais – Reconhecer e respeitar seus direitos, conhecimentos, inovações, práticas, tradições e suas formas próprias de organização social. Garantir seus territórios e seu direito ao acesso e uso dos recursos naturais que formam a base para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Identificar e implementar formas adequadas às suas culturas para garantir seu acesso às políticas e aos recursos públicos. Criar e pôr em prática formas adequadas para o fomento a suas atividades econômicas. Apoiar os processos de gestão ambiental de seus territórios.

b. Ampliar e intensificar a promoção de produtos da sociobiodiversidade – É uma política transversal que associa o apoio à organização social e gerencial dos produtores, o uso sustentável da biodiversidade brasileira tanto na alimentação quanto para outras finalidades e a agregação de valor por meio de atuação intersetorial. Esses produtos devem ser colocados no centro de uma visão estratégica de país. Além de permitir o uso sustentável de nossos ecossistemas e a inserção destas populações no geral marginalizadas, essa visão nos confere vantagens competitivas e de possibilidade de inovação únicas. Investimento em ciência e tecnologia, ampliação da garantia de preços mínimos a mais produtos da sociobiodiversidade, apoio à gestão dos territórios de povos e comunidades tradicionais e agregação de valor in loco devem ser prioridade.

c. Reconhecer e valorizar as diversas formas de manifestação cultural – Apoiar decididamente a aprovação do Plano Nacional de Cultura, em tramitação no Congresso Nacional, e sua implementação. A extraordinária riqueza cultural do Brasil deve ser promovida, ampliada e resgatada como patrimônio nacional. O poder público não pode estar ausente do apoio à produção cultural e artística, mas também não pode ser um canal hegemônico. Deve apoiar e subsidiar as atividades culturais e artísticas de reconhecido interesse público e comunitário e de coesão que tenham dificuldade de se viabilizar através dos mecanismos de mercado. E, paralelamente, estabelecer uma política de estímulo à cadeia produtiva da cultura como dimensão da economia nacional. Ademais, o poder público deve zelar para que as iniciativas culturais e artísticas que apóie sejam elementos de afirmação dos valores nacionais – democracia, tolerância, paz e preservação do meio ambiente. O poder público deve estimular a democratização dos meios de comunicação social, particularmente da mídia eletrônica e as novas tecnologias de informação que propiciem uma democracia mais participativa.

d. Garantir os processos de demarcação e homologação das terras indígenas e as possibilidades de desenvolvimento com autonomia dos povos indígenas – Várias áreas indígenas ainda não tiveram seu processo de reconhecimento iniciado ou concluído, o que deve ser feito no mais breve tempo possível, com sua participação. Identificar e implementar formas adequadas às suas culturas para o acesso às políticas e aos recursos públicos. Criar estrutura adequada para sua participação na tomada de decisão nas políticas que lhes dizem respeito, e que tenha por função articular e normatizar estas políticas. Apoiar os processos de gestão ambiental de seus territórios.

e. Intensificar os processos de reconhecimento dos quilombos e o apoio à gestão de seus territórios – Manter e aperfeiçoar o Decreto n° 4887, de 20 de novembro de 2003, e os processos de reconhecimento dos territórios quilombolas, nas áreas rurais e nas cidades. Identificar e implementar formas adequadas às suas culturas para o acesso às políticas e aos recursos públicos.

f. Lutar contra todas as formas de discriminação: étnica, racial, religiosa, homofobia, sexismo ou outra – Garantir a cada grupo espaço próprio de participação política e de respeito e atenção às suas demandas específicas, ou seja, uma porta de entrada para suas reivindicações, clara e bem identificada, no governo federal. Os Conselhos de Políticas para as Mulheres e da Juventude, as Conferências de Direitos Humanos e de LGBT são exemplos de instrumentos na luta contra a discriminação e na melhoria da elaboração de políticas para públicos específicos. Políticas de igualdade racial, inclusive a manutenção das cotas para negros, serão reforçadas, como parte de um processo de restauração de equilíbrio aos desequilíbrios históricos contra as minorias.

g. Juventude e Terceira Idade – É necessário realizar um pacto geracional que fomente oportunidades sustentáveis de vida; gerar emprego e renda com novas tecnologias socioambientais; promover e fomentar trocas de experiências, intercâmbios, livres expressões e manifestações culturais, espaços permanentes, redes sociais, organizações juvenis e movimentos sociais.

h. Garantir a transversalidade da questão ambiental – Integrar a questão ambiental ao planejamento das políticas e projetos governamentais.

 

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Comentários

  • 26/07/2010
    Bruno
    Fico feliz com a resposta da Equipe de Conteúdo à pergunta de Bruno César. Era o questionamento que eu faria. Entretanto, ainda tenho dúvidas porque nós, homossexuais, temos mais de 30 direitos constitucionais suprimidos somente pela sua identidade (esse é o termo mais correto) sexual. A união civil é um deles. Marina Silva é também a favor do direito à adoção por casais gays? E, para transexuais, do direito à cirurgia de mudança de sexo pelo SUS? A cirurgia está entre os procedimentos do SUS atualmente porque a transexualidade ainda é considerada doença. Mas, caso deixe de figurar na lista de doenças, o que pode ocorrer, a candidata é a favor da manutenção desse procedimento gratuito no SUS? E, IMPORTANTE, quanto ao projeto de lei 122/06, que criminaliza a homofobia? A bancada evangélica do Congresso faz pressão contrária. Qual a posição de Marina Silva?
    Olá Bruno, Marina é a favor da qualidade de vida, da diversidade, sustentabilidade e da garantia dos direitos civis. Marina também é a favor de um olhar especialmente voltado a primeira infância. Tudo que caminhe no sentido contrário a esses valores não condiz com as ideias e projetos de Marina. Obrigado, Equipe de Conteúdo.

  • 25/07/2010
    Sheilla Piancó
    A temática da diversidade talvez seja realmente o centro de tudo, pois dela depende a consolidaçào da democracia e consequentemente da liberdade. Pensar que sofri discriminação e fui tratada de forma preconceituosa por meus colegas de trabalho porqe elogiei a Argentina pela vitória na temática do casamento entre pessoas do mesmo sexo me fez pensar que aqui o egoísmo ainda impera. Precisamos levar esse e outros debates às ruas para quebrar esse tabu inutil que atrapalha o fortalecimento da nossa democracia!
  • 24/07/2010
    Bárbara Ferreira
    Entendo que muitas das desigualdades sociais do Brasil têm raízes históricas, mas não creio que a política de cotas seja a solução para o problema. Vejo a melhoria na qualidade da educação, começando pelo ensino fundamental, como esta solução. Os jovens e adolescentes de hoje são extremamente individualistas e alienados. Por isso, creio que Política, Finanças e Serviço Social deveriam fazer parte do currículo escolar, desde o ensino fundamental.
    Cara Bárbara, A política de adesão às cotas raciais entra apenas como uma medida a curto prazo enquanto a melhora na educação de base se torna um importante instrumento na consolidação de uma sociedade responsável e sustentável. Obrigado pelas sugestões, Equipe de Conteúdo.

  • 21/07/2010
    Bruno César Damit Coutinho
    Sobre o item "F", sou favorável que os próximos governos enfrentem de maneira séria e concreta a discriminação nesse país contra toda forma de preconceito. Como homossexual e futuro professor de história (se Deus quiser no ano que vem!), vejo com preocupação a aproximação entre e Estado e Igreja. No início do século XXI, isso deveria ser algo inconcebível. Entretanto, percebo, principalmente por parte dos evangélicos, sem eximir de culpa os católicos, uma hostilidade crescente contra os gays e as religiões afro-descendentes. Gostaria de saber quais são as propostas concretas para diminuir esse tencionamento na sociedade? Gostaria de saber também, qual o posicionamento sobre a aprovação de uma eventual lei reconhecendo a União Civil Homoafetiva?
    Olá Bruno, Marina separa com clareza as questões do Estado - laico - das questões individuais. Ela é favorável à união civil, e também à garantia de todos os direitos dos cidadãos. Agir em prol da diversidade é caminhar em direção a uma sociedade sustentável. Obrigado. Equipe de Conteúdo.

  • 17/07/2010
    Gustavo T Gazzinelli
    Sugestões para o programa e diretrizes: Incluir a Água como Bem Comum e um Direito Humano nas diretrizes de governo. Compatibilizar a composição dos Conselhos Nacionais de Meio Ambiente e Recursos Hídricos com a diversidade econômica-e-socioambiental brasileira. Estes conselhos são hoje o retrato da desigualdade econômica, privilegiando sobretudo os grandes grupos e corporações econômicas em detrimento dos interesses coletivos, sub-representados em tais conselhos, responsáveis pela edição de normas e tomadas de decisão vitais para a qualidade do nosso meio ambiente e dos recursos hídricos. Tratar os biomas brasileiros e suas respectivas singularidades equitativamente à menina dos olhos da Marina, que é a Amazônia. Não temos visto, lido ou ouvido falas da candidata em relação, por exemplo, aos campos rupestres sobre cangas ferruginosas, que estão sendo extintos em regiões do Bioma Mata Atlântica em Minas Gerais, com apoio do Ibama, do BNDES e das autoridades estaduais. É preciso colocar limites às atividades predatórias que já destruíram 40% destas áreas, e que têm mais 48% delas em fase de licenciamento, para encher de notas "verdes" os bolsos dos acionistas de empresas como Vale, MMX, Anglo American... entre algumas outras.
  • 08/07/2010
    Flávio de Melo
    Gostaria de dar minha sugestão para elaboração do Plano de Governo da Presidenciável Marina. Irani é o Berço da Guerra do Contestado, pelo fato de em nosso município ter acontecido no dia 22 de outubro de 1912 o primeiro combate deste importante fato histórico ocorrido entre 1912 e 1916, fruto da desigualdade social e da exploração do capital estrangeiro, que mudou para sempre a historia e destino do estado de Santa Catarina e do Paraná e conseqüentemente do Brasil. Apesar de sua importância a Guerra do Contestado e um fato pouco conhecido pelo Brasil. Qual será suas ações para corrigir este erro histórico, com o povo que deu suas vidas para a partilha do solo catarinense? A nossa principal reivindicação é a Conclusão do Parque Temático do Contestado de Irani, lembrando que em 2012 lembraremos o Centenário do Contestado e esta é uma importante obra para valorização da Historia Catarinense, além de incrementar o fluxo de turistas que hoje já visitam o nosso município. Att, Flavio de Melo Diretor de Cultura ? Irani ? SC flaviodml@yahoo.com.br 49 3432 0133
  • 08/07/2010
    Bruno Medina
    O governo e o mundo tanto falam em redução de poluentes e sabemos que o que mais polui hoje no país são os automóveis. A gasolina comum que provavelmente 9 entre cada 10 carros usa no Brasil libera na atmosfera 1000ppm (partes por milhão) de enxofre. A gasolina ?Pódium?, produto da estatal Petrobrás, libera somente 30ppm de enxofre! (ou seja, é 97% menos poluente do que as demais) Na data de hoje(22/06/10), se eu pensar em ajudar o meio ambiente e abastecer com Pódium, terei que gastar a mais por volta de R$0,50 por litro de gasolina (que custa por volta de R$3,10 na minha região). A pergunta que se segue é simples: Ainda que o cidadão queira ajudar o meio ambiente usando esta gasolina ele deve que pagar a mais por isto??? A Petrobrás é do governo. A gasolina menos poluente é da Petrobrás. Por que então o governo não subsidia ou isenta de alguns impostos este produto para que, se não for possível deixá-lo mais barato do que a gasolina comum, que pelo menos fique no mesmo patamar de preço??? A Petrobrás ganharia com isto pelo maior volume de vendas. Eu ganharia com isto pois estaria usando uma gasolina da melhor qualidade no meu veículo. O meio ambiente ganharia com isto pelo menor grau de poluição. E até o governo ganharia com isto pois com certeza o bom exemplo poderia até servir de modelo para vários outros países. Fica a minha sugestão. Ter um combustível muito mais limpo mas que apenas alguns poucos privilegiados podem usar devido ao alto preço não deve ser a regra.


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