Alguns comentários inadvertidos surgiram na rede nas últimas horas a respeito do encontro que a senadora Marina Silva manteve com o vice-presidente do Conselho de Administração das Organizações Globo, João Roberto Marinho, na última sexta-feira, dia 5. Fala-se que Marina teria tido “uma reunião secreta” com o dirigente da Globo, para “articular” algo contra alguém.
Na verdade, a senadora foi recebida pelo dirigente da Globo para apresentar suas ideias de como conduzir o Brasil para um futuro que seja mais generoso.
O mal-entendido ou a tentativa de gerar alguma suspeita sobre a conduta da pré-candidata do PV à Presidência se deve, provavelmente, ao fato de reportagem da Folha ter afirmado que almoço não fora anunciado pela assessoria da senadora nem incluído na agenda divulgada aos veículos de comunicação.
Não deixa de ser curiosa a maneira de o jornal paulista abordar o assunto. Afinal, o autor do texto e outros repórteres souberam da realização do encontro justamente pela assessoria de imprensa de Marina, enquanto a aguardavam na Câmara Municipal de São Gonçalo para acompanhar evento em homenagem à senadora, na tarde de sexta-feira.
Marina também esteve recentemente com as direções da própria Folha, de O Estado de S. Paulo e da RBS. Nenhum desses compromissos, de fato, integraram a agenda distribuída aos jornalistas. Todos foram divulgados aos leitores dos jornais pelas próprias publicações. Nas próximas semanas, a senadora voltará a manter contato com os representantes de outros veículos pelo país afora. Os demais concorrentes à sucessão do presidente Lula deverão fazer o mesmo, sem dúvida. É algo corriqueiro na vida de quem se lança a oferecer ao país um projeto para a sua condução nos próximos anos.
Em todas as vezes em que esteve com a imprensa, Marina usou as oportunidades para expor as suas preocupações com a construção do futuro do Brasil e o risco de se perder a janela de oportunidades que se abre aos brasileiros, caso o debate político se restrinja a uma dicotomia que faz do passado o seu elemento motivador.
Na sede das Organizações Globo, não foi diferente. Aliás, não há nada de ilegítimo na iniciativa da senadora de chamar a atenção dos dirigentes do principal grupo de comunicações do país para o fato de sua última aparição no Jornal Nacional ter sido em dezembro do ano passado, no noticiário sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ocorrida na Dinamarca. De lá para cá, os telespectadores do telejornal só recebem informações sobre aqueles que estão nos cargos de governos e querem ocupar o Palácio do Planalto.
Este episódio da geração de comentários sem fundamentos nos traz duas questões: a quem interessa e por que interessa promover suspeitas sobre alguém que notadamente vem tendo uma postura de respeito e ética com seus adversários?