Postado em 02/09/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

As novas formas de participação cidadã

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Em vez de uma participação latente que emerge somente em época de eleições, os jovens se engajam em causas sociais, ambientais e culturais

Tendo participado ativamente da campanha presidencial de Marina Silva em 2010, sou interpelada a toda hora por pessoas de diferentes idades, que atuam em diversos setores da sociedade, com uma cobrança: “E agora, que vamos fazer?” Tal indagação me remete a outra questão: como viabilizar a participação ativa e estruturada de maneira a influenciar o funcionamento do Estado e a vida social?

Os desgastes dos partidos políticos e as crises financeiras e sociais do mundo hoje nos obrigam a pensar novos paradigmas que possam acolher o desejo de participação de milhares de pessoas, sobretudo jovens, que se sentem excluídos desse modelo de sociedade.

Trata-se ainda de um desejo difuso e intangível, mas que está gerando novas formas de participação e atuação na sociedade. Em vez de uma participação latente que emerge somente na época das eleições, as novas gerações se engajam cotidianamente em causas sociais, ambientais e culturais, em uma forte e apaixonada busca de soluções para enfrentar os desafios do século 21.

Nesse cenário, pensar novos modelos de sociedade e, sobretudo, pensar novas formas de participação nos leva a analisar a atuação das organizações da sociedade civil e sua inserção no debate político mais amplo.

No campo social, os recursos se concentram, cada vez mais, em grandes fundações e institutos em detrimento das organizações comunitárias. Entretanto, essas pequenas organizações cumprem um papel imprescindível para a consolidação dos direitos humanos nas questões de raça, gênero, população de rua e de presídios e outras.

Nesse contexto, de um lado, a falta de recursos e de espaços de atuação, além de enfraquecer a luta por essas causas, resulta em perda de capital social e em esgarçamento do tecido social, na medida em que essas ONGs de base atuam como pontes entre pessoas, instituições e as políticas públicas na construção de uma sociedade democrática e participativa.

E de outro lado, novas e diferentes formas de organizações da sociedade civil têm surgido com força -por exemplo, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Rede Nossa São Paulo, Fórum Social de São Paulo, Comitê das Florestas, Todos pela Educação, dentre outras. São experiências de organizações fluidas e horizontais, legitimadas pela inclusão de vários atores.

O século 21 exige visão sistêmica e não linear das diferentes políticas e programas, além de hierarquias flexíveis, trabalho colaborativo, autonomia e liberdades de escolha e opção. Por fazerem a diferença, os bens coletivos e os intangíveis devem ser priorizados: ouvir, respeitar, reconhecimento social, fazer junto, cooperação e reciprocidade.

Nesse cenário de crise de partidos políticos, dificuldade financeira e institucional de parte da sociedade civil organizada, coexiste uma fértil vontade de mobilização entre jovens, com experiências de escolas de ativismo e de lideranças, e movimentos de transparência que se multiplicam pelo país. É na sociedade civil que será possível encontrarmos as respostas para os desafios que o século 21 nos coloca.

Para além da premência indiscutível de reorganização dos partidos e das formas de representação política, o maior desafio é garantir a multiplicação de posições e espaços para novos modos de mobilização e incrementar a capacidade de influência das diversas vozes que ecoam na sociedade.

É essa a saída para o fortalecimento da sociedade civil e para a implementação de políticas públicas compromissadas com o desenvolvimento sustentável e justo para o país.

Artigo escrito para a Folha de São Paulo por MARIA ALICE SETUBAL, doutora em psicologia da educação pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), é presidente dos conselhos do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e da Fundação Tide Setubal.

Postado em 11/08/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

‘Sala de Marina’ debate nesta quinta-feira as propostas de Marina para educação

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Transmitido ao vivo pela internet (www.minhamarina.org.br/salademarina), o programa “Sala de Marina” discute nesta quinta-feira (12), às 17h, as propostas de Marina Silva para educação. A convidada é Maria Alice Setubal, que coordena a formulação das diretrizes para educação do programa de governo da candidata do PV.

Socióloga, doutora em psicologia da educação e mestre em ciência política, é mais conhecida como Neca Setubal. Ela também atua como presidente do Centro de Estudos em Educação e Cultura (Cenpec) e da Fundação Tide Setubal.

Além de Neca, confirmaram presença Samantha Shiraishi, jornalista e editora do blog “A Vida Como A Vida Quer” e voluntária do “Todos pela Educação”; Guilherme Nunes da Silva, pai e editor do blog “Conversas de Cozinha”; Aline Kelly, mãe, professora e voluntária do “Todos pela Educação”; Cybele Meyer, do blog “Educa Já” e Claudia Charoux, designer instrucional e colaboradora de projetos sociais na área de educação a distância.

Os espectadores poderão participar do bate-papo pelo Twitter, usando a hashtag #salademarina no microblog Twitter.

Se quiser saber um pouco mais sobre Neca Setúbal e as diretrizes do programa de governo da Marina para educação, assista ao vídeo abaixo.

Postado em 27/07/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Diretrizes de Marina incorporam sugestões da sociedade

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Integrantes da equipe de colaboradores das Diretrizes do Programa de Governo de Marina Silva receberam a imprensa nesta terça-feira (27) para apresentar o resultado das novas colaborações recebidas desde a primeira divulgação do documento, em 10 de junho. Trata-se de um processo aberto de discussão em que os compromissos de governo são aprofundados e detalhados. “Não me julgo trazendo soluções”, disse Marina, “mas convidando a sociedade brasileira a se pensar”.

Ao grupo de 70 especialistas que começaram a compor as diretrizes juntou-se, entre 10 de junho e 25 de julho, mais 22 especialistas. Nesse período foram recebidas 980 colaborações de 180 pessoas por meio da internet.

Para José Eli da Veiga, um dos coordenadores da parte econômica das diretrizes, o programa avança na defesa da sustentabilidade. Segundo o professor da USP, o conceito vem sendo entendido em sentido negativo, como o conjunto de coisas que devemos deixar de fazer para não comprometer o mundo das gerações futuras. É preciso mudar. “Temos que fazer hoje coisas que vão ser importantes para as gerações futuras”.

Ricardo Paes de Barros, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), falou da necessidade, contemplada pelas diretrizes, de avançar em relação aos programas de simples transferência de renda, como o Bolsa Família. Além de renda, disse Ricardo, as diretrizes prevêem um amplo leque de opções a ser colocado à disposição das famílias pobres. Convidou os ouvintes a imaginar “o que será feito por meninas e meninos que tiverem um amplo leque de oportunidades e não as poucas oportunidades que Marina teve e aproveitou tão bem”.

A característica de ser uma plataforma que envolve a discussão real com a sociedade torna as diretrizes de Marina Silva diferente dos programas dos outros candidatos, segundo Alfredo Sirkis, vice-presidente nacional do PV. “Não é um programa feito por marqueteiros com base em pesquisas que identificam aquilo que o eleitor quer ouvir”, disse Sirkis.

Colaborador na área de saúde, o secretário municipal do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, ressaltou a concepção centrada no ser humano que marca as diretrizes. Com esse princípio em mente, as diretrizes propõem uma visão para a saúde que foca a atenção na saúde básica, comprometendo-se com a aplicação dos recursos destinados à saúde previstos pela Constituição, mas que os governos se negam a regulamentar e a aplicar, e com uma concepção intersetorial para a saúde. “A saúde sozinha não resolve”, disse Eduardo Jorge. “É preciso pensar ao mesmo tempo a questão educacional, a questão ambiental, a questão social”.

“Inventemos um futuro que não se pareça com nenhum passado”, propôs o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. E, sobretudo, que não faça de novo a Revolução Industrial, observou Antonio Donato Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, com a exploração e poluição do século 19, como se está fazendo na China. Para isso, as diretrizes propõe uma “educação para o século 21”, disse Neca Setúbal, colaboradora das diretrizes para a área da educação. Segundo Neca, as diretrizes põem a educação “como um pilar da sociedade sustentável”.

O candidato a vice-presidente, Guilherme Leal, insistiu na característica de processo aberto que a construção das diretrizes representam. “Todo processo contém em si mesmo a possibilidade de um avanço”, disse. Esse processo, consolidado nas diretrizes, revela “a importância de pensar sobre o Brasil que gostaríamos de ser”.

Veja aqui a íntegra da fala de Marina Silva no evento de apresentação das Diretrizes para o Programa de Governo acrescidas de novas colaborações.