Postado em 23/07/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Meus chutes, aguardando o planejamento*

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Suspeito que, após planejar, talvez nunca valeria a pena sequer discutir Belo Monte, enquanto usinas como as do Madeira poderiam ser adiadas

Debates desencontrados nascem da falta de transparência e de planejamento na política energética.

Uns reclamam dos impactos de uma obra, enquanto outros respondem sobre a necessidade dela: diálogos paradoxais, entre surdos. Belo Monte é caso emblemático, e longe de ser único. Formular perguntas lógicas ajuda: se não para resolver, pelo menos para focar os conflitos sobre o que interessa. Até quando houver planos de obras, em vez de política energética, o debate seguirá surreal.

A primeira pergunta é sobre demanda, que não é linear, nem necessariamente proporcional ao crescimento. Moldar demanda -em modalidades e prazos- é função primordial da política energética e implica investir para definir a agenda da geração.

Para tanto, é essencial fixar metas e padrões ótimos de intensidade (consumo por unidade de produto).

Em vez de uma revolução tecnológica de eficiência na indústria, o plano decenal oficial prevê manter a atual intensidade até lá.

A segunda é sobre o caminho mais barato e rápido para atender a cenários de demanda que não sejam projetados a partir do passado, o que torna de antemão obsoleto nosso futuro. Nenhuma energia nova, de qualquer fonte, compete com a que já geramos e jogamos fora.

Antes de investir em geração adicional, precisa-se aproveitar o que existe, reduzindo perdas em todos os segmentos, com destaque para transmissão, onde passam de 20%.

O plano decenal prevê manter as taxas de perda atuais.

Aí vem a terceira pergunta, a respeito do conjunto de fontes de geração necessário após aproveitar as “low hanging fruits”, as oportunidades mais disponíveis.

Esse conjunto deve ser diverso, pela segurança do abastecimento.

Boa notícia para o Brasil é que esse desafio seria prioritário só no final desta década, permitindo investir em condições mais vantajosas.

Nos campos eólico e solar, contaríamos com avanço tecnológico-industrial nacional que iria anteceder investimento maciço nessas fontes.

Em biomassa e dejetos, poder-se-á ganhar escala e baratear tais opções, inclusive aproveitando os recursos vultosos que serão poupados com o fim da cobrança da amortização das usinas velhas.

Caso se tornem necessárias algumas grandes hidrelétricas, haverá tempo de preparar, com cinco a sete anos de antecedência, a governança dos territórios onde elas se inserem e considerar apenas os projetos mais eficientes.

Só discutiríamos os impactos, ou como evitar as selvagerias socioambientais do rio Madeira, se e quando forem respondidas as perguntas do planejamento.

Suspeito que, após planejar, talvez nunca valeria a pena sequer discutir Belo Monte, enquanto usinas como as do Madeira poderiam ser adiadas para daqui a dez anos, com preinvestimento social, ambiental e de presença do Estado.

O meu, de fato, não deixa de ser um chute. Igual aos chutes que levam a deslocar R$ 50 bilhões de dinheiro público para tanto, inviabilizando outros investimentos. E a defender que a selvageria seria o preço a pagar para fazer agora o que nem sequer sabemos se jamais seria competitivo.

*Roberto Smeraldi, jornalista, é diretor da Oscip Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e autor do Novo Manual de Negócios Sustentáveis (Publifolha).

Postado em 10/07/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Eu, a Folha e o mensalão

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Leia a seguir carta que enviei ao jornal Folha de S.Paulo para esclarecer uma não-declaração sobre a denúncia da Procuradoria Geral da República sobre o escândalo do mensalão, anunciada na última quinta-feira, dia 7 de julho.

Lamentavelmente, a reportagem “Marina busca fórmula para não submergir” (publicada à pág. A10, da edição de 9 de julho) comete um grave erro de informação em seu trecho final.

Ao ser indagada sobre a recente denúncia do procurador-geral da República no caso do mensalão, não respondi que estava “triste”com o pedido de prisão para ex-colegas do Partido dos Trabalhadores.

Meu comentário, conforme a gravação que está em posse dos autores do texto, tomou emprestada a experiência de uma das minhas filhas quando da descoberta das irregularidades. Relatei, de forma emocionada, o sentimento de decepção vivenciado por ela em razão de ter nascido e crescido num ambiente dominado pelo simbólico e pelas ideias de um partido que se dispunha a ser transformador. Narrativa semelhante eu já havia feito à autora do livro “Marina – a Vida por uma Causa”.

Reafirmei, então, aos repórteres que me sentia da mesma forma frente à atual iniciativa da Procuradoria Geral da República. Declarei minha confiança na seriedade das investigações levadas a cabo pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, como também já fizera em outras oportunidades.

Portanto, não manifestei, em nenhum momento, qualquer tipo de solidariedade aos envolvidos no caso do mensalão, por mais que tenham sido meus colegas durante os anos em que militei no PT.

Tenho certeza de que a Folha saberá recuperar a verdade dos fatos e evitar que equívocos desta ordem mantenham-se em seus registros.

Atenciosamente,

Marina Silva, ex-senadora da República pelo Acre

Postado em 23/08/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Guilherme Leal participa do debate Folha/UOL entre vices

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Nesta terça-feira (24), o candidato à Vice-Presidência pelo PV, Guilherme Leal, participa do debate Folha de S.Paulo/UOL entre os candidatos a vice-presidente.

O debate acontece entre 10h30 e 12h30, em São Paulo. O encontro será transmitido ao vivo pelos portais www.uol.com.br e www.folha.com.br.