Integrantes da equipe de colaboradores das Diretrizes do Programa de Governo de Marina Silva receberam a imprensa nesta terça-feira (27) para apresentar o resultado das novas colaborações recebidas desde a primeira divulgação do documento, em 10 de junho. Trata-se de um processo aberto de discussão em que os compromissos de governo são aprofundados e detalhados. “Não me julgo trazendo soluções”, disse Marina, “mas convidando a sociedade brasileira a se pensar”.
Ao grupo de 70 especialistas que começaram a compor as diretrizes juntou-se, entre 10 de junho e 25 de julho, mais 22 especialistas. Nesse período foram recebidas 980 colaborações de 180 pessoas por meio da internet.
Para José Eli da Veiga, um dos coordenadores da parte econômica das diretrizes, o programa avança na defesa da sustentabilidade. Segundo o professor da USP, o conceito vem sendo entendido em sentido negativo, como o conjunto de coisas que devemos deixar de fazer para não comprometer o mundo das gerações futuras. É preciso mudar. “Temos que fazer hoje coisas que vão ser importantes para as gerações futuras”.
Ricardo Paes de Barros, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), falou da necessidade, contemplada pelas diretrizes, de avançar em relação aos programas de simples transferência de renda, como o Bolsa Família. Além de renda, disse Ricardo, as diretrizes prevêem um amplo leque de opções a ser colocado à disposição das famílias pobres. Convidou os ouvintes a imaginar “o que será feito por meninas e meninos que tiverem um amplo leque de oportunidades e não as poucas oportunidades que Marina teve e aproveitou tão bem”.
A característica de ser uma plataforma que envolve a discussão real com a sociedade torna as diretrizes de Marina Silva diferente dos programas dos outros candidatos, segundo Alfredo Sirkis, vice-presidente nacional do PV. “Não é um programa feito por marqueteiros com base em pesquisas que identificam aquilo que o eleitor quer ouvir”, disse Sirkis.
Colaborador na área de saúde, o secretário municipal do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, ressaltou a concepção centrada no ser humano que marca as diretrizes. Com esse princípio em mente, as diretrizes propõem uma visão para a saúde que foca a atenção na saúde básica, comprometendo-se com a aplicação dos recursos destinados à saúde previstos pela Constituição, mas que os governos se negam a regulamentar e a aplicar, e com uma concepção intersetorial para a saúde. “A saúde sozinha não resolve”, disse Eduardo Jorge. “É preciso pensar ao mesmo tempo a questão educacional, a questão ambiental, a questão social”.
“Inventemos um futuro que não se pareça com nenhum passado”, propôs o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. E, sobretudo, que não faça de novo a Revolução Industrial, observou Antonio Donato Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, com a exploração e poluição do século 19, como se está fazendo na China. Para isso, as diretrizes propõe uma “educação para o século 21”, disse Neca Setúbal, colaboradora das diretrizes para a área da educação. Segundo Neca, as diretrizes põem a educação “como um pilar da sociedade sustentável”.
O candidato a vice-presidente, Guilherme Leal, insistiu na característica de processo aberto que a construção das diretrizes representam. “Todo processo contém em si mesmo a possibilidade de um avanço”, disse. Esse processo, consolidado nas diretrizes, revela “a importância de pensar sobre o Brasil que gostaríamos de ser”.
Veja aqui a íntegra da fala de Marina Silva no evento de apresentação das Diretrizes para o Programa de Governo acrescidas de novas colaborações.