Postado em 25/01/2012 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

O papel do gestor ambiental

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*Fonte: USP ESALK

Patronesse da 7ª turma de gestores ambientais da ESALQ, a ex-ministra Marina Silva falou sobre a importância deste profissional

Na última sexta-feira, 20/01, a ex-ministra Marina Silva foi a patronesse da 7ª Turma de bacharelandos em Gestão Ambiental, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). Após16 anos ocupando uma vaga no Senado e outros cinco como ministra do Meio Ambiente no governo Lula, atualmente Marina Silva comanda o instituto que leva seu nome e desenvolve ações de educação e mobilização para a sustentabilidade. Em entrevista, falou sobre o papel do gestor ambiental, os desafios da profissão e a necessidade de solucionar, de forma transversal, problemas ligados à temática ambiental.

No Brasil existem apenas 12 bacharelados em Gestão Ambiental. Fale da importância do gestor inserido nas questões de ambiente.

Marina Silva: Nós vivemos em um mundo que cada vez mais cria problemas complexos e que exigem uma abordagem completamente nova para resolver essas questões. Uma das mudanças é a visão integrada para a resolução dos problemas, envolvendo varias áreas de conhecimento, transformando as informações em conhecimento e, de preferência, o conhecimento em sabedoria. O gestor ambiental tem a capacidade de desenvolver uma ação transversal, operando desde uma visão de administração até o uso sustentável dos recursos naturais e faz com que essa visão integrada, observando a capacidade de suporte dos ecossistemas, contribua efetivamente para a criação de um novo modelo de desenvolvimento. Por isso entendo a sustentabilidade não como uma forma de fazer as coisas, mas como uma forma de ser, uma visão de mundo, um ideal de vida que se traduz na economia, na cultura, na ciência, na tecnologia, na relação dos homens entre si e com a natureza. Isso é a sustentabilidade que o gestor ambiental pode ajudar a construir.

Então o gestor entra como uma mão de obra qualificada que pensa nos rumos ambientais, além dos aspectos técnicos?

MS: Sim, além dos aspectos técnicos com uma visão integrada desses problemas, compreendendo que o desenvolvimento sustentável não é apenas uma questão técnica, mas também de natureza ética, ou seja, como nós desenvolvemos hoje a capacidade e suporte dos ecossistemas, atendendo às necessidades reais das gerações presentes, sem comprometer o futuro atendimento da população.

Quais os desafios que esses formandos em Gestão Ambiental irão encontrar?

MS: O maior desafio é o da mudança de modelo de desenvolvimento. Como sair do atual modelo predatório e insustentável para uma nova ordem, sustentável em todas as dimensões. Por isso precisam integrar os conhecimentos e em nível econômico, social, ambiental, cultural, ético e político. O gestor ambiental tem que ter uma visão transversal dos problemas, abordar as soluções de forma integrada, aliando o saber técnico e científico aos conhecimentos associados oriundos das comunidades tradicionais e, nesse diálogo de saberes, como diz o professor Edgar Morin, estabelecer novos paradigmas para os modelos de desenvolvimento em todos os setores.

Inclusive o saber político?

MS: As dimensões política e ética talvez sejam as mais importantes para o encaminhamento das demais dimensões. O gestor ambiental precisa manejar todas essas ferramentas.

Para onde vai a Marina Silva nos rumos da política nacional?

MS: Eu estou dando a minha colaboração como cidadã, partricipando do processo de discussão e espero que a questão da sustentabilidade continue sendo uma questão relevante para o Brasil e para o mundo.

Postado em 13/06/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Manifesto em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável

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Por que tanta polêmica em torno da manutenção do que resta das nossas florestas? Será possível que ambientalistas, cientistas, religiosos, empresários, representantes de comunidades, movimentos sociais e tantos cidadãos e cidadãs manifestem sua indignação diante do texto do Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados, apenas por um suposto radicalismo ou desejo de conflito sem cabimento? Será justo afirmar que os defensores das florestas não levam em conta as pessoas e suas necessidades de produzir e consumir alimentos? Do que se trata, afinal? O que importa para todos os brasileiros?

Importa, em primeiro lugar, esclarecer a grande confusão sob a qual se criam tantas desinformações: não está se fazendo a defesa pura e simples das florestas. Elas são parte dos sonhos de um país com mais saúde, menos injustiça, no qual a qualidade de vida de todos seja um critério levado em conta. Um Brasil no qual os mais pobres não sejam relegados a lugares destruídos, perigosos e insalubres. No qual a natureza seja respeitada para que continue sendo a nossa principal fonte de vida e não a mensageira de nossas doenças e de catástrofes.

A Constituição Brasileira afirma com enorme clareza esses ideais, no seu artigo 225, quando estabelece que o meio ambiente saudável e equilibrado é um direito da coletividade e todos – Poder Público e sociedade – têm o dever de defendê-lo para seu próprio usufruto e para as futuras gerações Esse é o princípio fundamental sob ataque agora no Congresso Nacional, com a aprovação do projeto de lei que altera o Código Florestal. 23 anos após a vigência de nossa Constituição quer-se abrir mão de suas conquistas e provocar enorme retrocesso.

Há décadas se fala que o destino do Brasil é ser potência mundial. E muitos ainda não perceberam que o grande trunfo do Brasil para chegar a ser potência é a sua condição ambiental diferenciada, nesses tempos em que o aquecimento global leva a previsões sombrias e em que o acesso à água transforma-se numa necessidade mais estratégica do que a posse de petróleo.

Água depende de florestas. Temos o direito de destruí-las ainda mais? A qualidade do solo, para produzir alimentos, depende das florestas. Elas também são fundamentais para o equilíbrio climático, objetivo de todas as nações do planeta. Sua retirada irresponsável está ainda no centro das causas de desastres ocorridos em áreas de risco, que tantas mortes têm causado, no Brasil e no mundo.

Tudo o que aqui foi dito pode ser resumido numa frase: vamos usar, sim, nossos recursos naturais, mas de maneira sustentável. Ou seja, com o conhecimento, os cuidados e as técnicas que evitam sua destruição pura e simples. É mais do que hora de o País atualizar sua visão de desenvolvimento para incorporar essa atitude e essa visão sustentável em todas as suas dimensões.

Tal como a Constituição reconhece a manutenção das florestas como parte do projeto nacional de desenvolvimento, cabe ao poder público e nós, cidadãos brasileiros, garantir que isso aconteça. Devemos aproveitar a discussão do Código Florestal para avançar na construção do desenvolvimento sustentável. Para isso, é de extrema importância que o Senado e o governo federal ouçam a sociedade brasileira e jamais esqueçam que seus mandatos contêm, na origem, compromisso democrático inalienável de respeitar e dialogar com a sociedade para construir nossos caminhos.

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, criado pelas instituições abaixo assinadas, convoca a sociedade brasileira a se unir a esse desafio, contribuindo para a promoção do debate e a apresentação de propostas, de modo que o Senado tenha a seu alcance elementos para aprovar uma lei à altura do Brasil.

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Fórum de ex-ministros de meio ambiente
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social,
Movimento SOS Florestas
Via Campesina
Federação de Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf Brasil)
Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
Comitê Intertribal da Rio+20
Associação Brasileira das ONGs (ABONG),
Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Rede de Juventude Pelo Meio Ambiente (REJUMA)
Movimento Amazônia para Sempre
Movimento Humanos Direitos (MUDH)
Instituto Democracia e Sustentabiliade (IDS)
Greenpeace Brasil
Instituto Socioambiental (ISA)
Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Associação (Apremavi)
Imaflora
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
WWF Brasil
SOS MATA ATLÂNTICA
Associação Alternativa Terrazul
Vitae Civilis
Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (FASE)
IBASE
Sinpaf – Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e
Desenvolvimento Agropecuário
Fórum Nacional de Reforma Urbana
Rede Ecumênica da Juventude (REJU)
Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)
Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
SOS Clima Terra
Movimento Inovação Brasil (MIB)
Rede Mata Atlântica
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Fórum Mundaças Climáticas e Justiça Social (FMCJS)
Jubileu Sul – Brasil
Instituto Ecoar para Cidadania
Instituto Transformance: Cultura e Educação (ITCE)
Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA)
Instituto Transformance: Cultura e Educação (ITCE)
Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural (CENTRU –MA)
Instituto Espinhaço – Biodiversidade, Cultura e Desenvolvimento Sócio
Ambiental – MG
Fórum Carajás
Associação Movimento Paulo Jackson (AMPJ-BA)
Agência de desenvolvimento Ambiental (ADA-PR)
350.org
Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) Seção Pará
União Planetária
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (MAMA)
Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia (RMERA)
Bio-Bras (Mogi das Cruzes-SP)
Comissão Pró-Indio do Acre

AfroReggae

Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS)
Fundação Vitória Amazônica (FVA)
Instituto Encontro das Águas da Amazônia (IEAM)

A Rocha Brasil

Conservação Internacional do Brasil (CI)

Postado em 01/05/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

1º de Maio: a luta também deve se voltar para o futuro

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Neste 1º de Maio, dia internacional das trabalhadoras e dos trabalhadores, fui convidada e participarei do Ato Público Unificado, promovido pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), na cidade de São Paulo.

Vou discutir com os trabalhadores suas principais reivindicações: a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário (40 horas já!), a ratificação da Convenção 158 que trata da demissão imotivada, o fim do fator previdenciário, a igualdade de oportunidade, o desenvolvimento com valorização do trabalho. Vamos juntos também saudar os 70 anos de instituição do salário mínimo.

Quero aproveitar este espaço, no entanto, para contribuir nesta data festiva e de luta com uma reflexão um tanto diferente. Quero convidar trabalhadoras, trabalhadores e suas lideranças a se voltarem para debater o papel do movimento sindical na luta pelo Desenvolvimento Sustentável.

Primeiro, reconheço que a questão ambiental tem avançado no interior dos sindicatos, principalmente com a criação de secretarias, departamentos e outros espaços dedicados a tratar das questões ecológicas e do modelo de desenvolvimento econômico.

Lembro aqui a contribuição singular de Chico Mendes, com quem fundei a CUT no Acre. Em 1988, no Congresso da Central, ele lançou, apoiado por militantes do movimento sindical do Estado, a idéia das Reservas Extrativistas. Aquilo que era considerado por muitos um sonho, se transformou, com o decorrer do tempo, em política pública. Na minha gestão, como ministra do Meio Ambiente, ampliamos as reservas extrativistas para além da Amazônia, com a duplicação da extensão territorial dessas unidades de conservação e do total de famílias atendidas (de 20 mil para 40 mil beneficiadas).

Também quero ressaltar o trabalho de organismos como a OIT (Organização Internacional do Trabalho), que recentemente lançou um estudo sobre o crescimento dos empregos verdes e a importância deles para enfrentar as mudanças climáticas.

Sabemos, pela ampla maioria da comunidade científica, que a crise ambiental e as transformações climáticas globais estão relacionadas com o modelo de desenvolvimento atual, notadamente com a sua forma de produção e consumo.

Nesta realidade, a indústria, tanto urbana, como rural, tem um papel fundamental. Hoje, ela é parte maior do problema, mas pode avançar para ser solução, dependendo das escolhas e do esforço comum da sociedade, particularmente da visão antecipatória das lideranças de trabalhadores e empresários, que devem atuar juntas pela geração de empregos verdes e pela construção do Desenvolvimento Sustentável no Brasil.

O poder público, em especial o governo federal, também cumpre papel importante nesse processo. No entanto, sua participação decisiva depende da pressão da sociedade civil e do compromisso dos governantes com essa causa.

O nosso país tem grande potencial para avançar na geração de empregos verdes. A adoção de políticas para o incentivo às energias renováveis, por exemplo, poderá criar milhões de postos de trabalho. Os empregos verdes preservam o meio ambiente, diminuem as emissões de CO2 e contribuem para a qualidade de vida, à medida que valorizam a saúde e o bem-estar das trabalhadoras e trabalhadores.

Quando as centrais sindicais colocam a justa reivindicação da redução da jornada de trabalho e a criação de novos empregos, defendendo o desenvolvimento com valorização do trabalho, não podem perder a oportunidade de, no 1º Maio, afirmar também um compromisso da nossa geração com nossos filhos e todos nossos descendentes para assegurar-lhes a qualidade de vida que desejamos e a preservação da vida no planeta.