Postado em 23/04/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

A saída de Ciro e o retrocesso democrático

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Qual o sentido político da democracia? É a liberdade de escolha bem informada. Numa eleição em dois turnos, como a presidencial, o primeiro foi concebido para oferecer ao eleitor um leque de alternativas políticas. A partir da diversidade de idéias e do debate entre elas, compete ao cidadão escolher as que entende serem as melhores para si e para o país.

É particularmente perverso que esse processo, que está no cerne da democracia, seja instrumentalizado para impedir abalos na manutenção de projetos de poder. Não é admissível que se queira manipular o direito de escolha por meio da redução forçada do leque de opções.

Assistimos agora, com o veto à candidatura de Ciro Gomes, a uma expressão exemplar desse tipo de intolerância democrática. É fácil prever que os mesmos grupos que trabalharam para tirar Ciro da disputa presidencial tentarão agora assimilá-lo.

Os que costumam agir dessa maneira são aqueles que têm dificuldade em transformar a visão democrática em ação e não admitem a alternância de poder. Primeiro, buscam eliminar os adversários que querem disputar legitimamente a preferência dos eleitores. Depois, tentam se colocar como o único hospedeiro possível para que os expurgados consigam sobreviver na vida pública.

Aquele que foi empurrado para fora do processo passa então a ser apontado como bom companheiro, patriota, desde que aceite ser assimilado por aqueles que articularam o seu expurgo.

Perde o país, perde a democracia.

Postado em 11/04/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

Não precisamos mais ter medo

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Encontro do Movimento Marina Silva em Belo Horizonte.

O discurso do medo foi revivido nos últimos dias deste período de pré-campanha. De um lado apela-se para o medo de que o país se divida, de outro, fala-se do medo de que o Brasil seja entregue e regrida.

Depois de tanta luta para reconquistar a democracia, espero que a gente não faça da apologia do medo o mote desta eleição de 2010.

Nós não precisamos e não podemos mais ter medo. Vamos, sim, acender a esperança e celebrar a união em torno daquilo que interessa a todos os brasileiros que é o próprio Brasil.

Ontem, em Minas, tive a oportunidade de participar de um debate como há muito tempo eu não via, um debate envolvendo pessoas de diferentes partidos, idades e segmentos da sociedade, e em um formato inovador.

O brasileiro comum, que há muito tempo demonstrava fastio pela política, volta a se encantar por ela. E a apologia do medo, neste momento, revela apenas uma tentativa baixa de boicotar esta oportunidade de debate na véspera da eleição.