Marina Silva, Oded Grajew, Ricardo Young e Marcos Rolim participam de debate sobre redes sociais, crise de representatividade e a #novapolitica
O debate “PolĂtica 2.0 – uma nova forma de fazer polĂtica?”, promovido pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), reuniu mais de 300 pessoas, entre estudantes, profissionais, integrantes de movimentos sociais, entre outros, no auditĂłrio da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira, 26, no FĂłrum Social Temático em Porto Alegre.
A roda de conversa começou às 14h30, e os presentes ouviram as falas de Marina Silva, do conselho diretor do IDS, Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo e Instituto Ethos, e Marcos Rolim, jornalista, mestre em Sociologia pela UFRGS e professor-visitante da Universidade de Oxford. O mediador foi Ricardo Young, também do conselho diretor do IDS.
Com o mote da nova polĂtica, influenciada diretamente pelas redes, a roda de conversa lembrou da crise de representatividade polĂtica, expressa na falta de crença na classe polĂtica por parte da população. “Vivemos tambĂ©m uma crise polĂtica, principalmente na qualidade da representação polĂtica nas estruturas da democracia”, afirmou Marina Silva. Aplaudida, a ex-senadora deixou uma mensagem positiva aos presentes. “NĂłs temos uma capacidade de lidar com o imprevisĂvel. Somos seres capazes de acreditar e criar meios (…) Algo novo está acontecendo no mundo, e isso tem que ser pensado por nĂłs. Uma nova polĂtica Ă© nĂŁo ficarmos adaptados ao que temos.”
Ricardo Young afirmou que, no PaĂs, “a democracia Ă© insatisfatĂłria porque há um distanciamento entre os partidos e a população”. Já Marcos Rolim ponderou que, embora desacreditados, os partidos ainda sĂŁo um “corpo polĂtico sĂłlido” e a Ăşnica maneira de efetuar mudanças polĂticas no Brasil. Ainda assim, Rolim ressaltou que o partido necessário para a transformação deve ser de “novo tipo, que represente tudo o que queremos”.
Ir atrás dos sonhos. Em sua fala, Oded Grajew arrancou risos da plateia. Um dos idealizadores do FĂłrum Social Mundial, ele afirmou ter concebido o evento em uma noite que passou num hotel com sua mulher. “O melhor da vida, o que nos torna felizes Ă© ir atrás dos sonhos. Tentar Ă© o mais importante, essa Ă© a nova polĂtica” disse Oded. “Cada um deve tentar fazer o que está ao seu alcance, sem ter certeza do sucesso.”
Após as falas dos palestrantes, o mediador Ricardo Young forneceu cerca de 15 minutos aos presentes, para discutir os temas abordados. “As pessoas se engajaram na dinâmica proposta de se debater em grupos. Formaram grupos de até 6 pessoas. E, depois, o debate prosseguiu, com cerca de dez pessoas levando a todos o resumo do que foi discutido no seu grupo”, afirmou Bazileu Margarido, do IDS.
Inflamado, um dos presentes levantou a questĂŁo socioambiental no debate polĂtico. “Como a Rio+20 pode ser diferente, depois dos fracassos de Copenhague? Marina Silva foi uma das que responderam Ă questĂŁo, ressaltando a importância do encontro. “Queremos uma Rio+20, temos que ter uma alta expectativa. O problema (das mudanças climáticas) Ă© grave e temos que nos mobilizar.”
Ao final do evento, a secretária executiva do IDS, Alexandra Reschke, agradeceu a presença de todos, lembrando que todo o evento foi transmitido pelo site WWW.idsbrasil.net e tuitado ao vivo, no @ids_brasil.
HistĂłrico das rodas de conversa. A roda de conversa em Porto Alegre Ă© a segunda edição de evento homĂ´nimo realizado em outubro do ano passado, em roda que reuniu em SĂŁo Paulo Marina Silva, Giuseppe Cocco, cientista polĂtico e professor da UFRJ, Carla Mayumi, responsável pela pesquisa “O Sonho Brasileiro”, e Ricardo Abramovay, professor titular da FEA-USP. (veja o vĂdeo editado aqui: http://youtu.be/GrVAY4ZFI1Y ). Desde a sua fundação, em outubro de 2009, o IDS desenvolve rodas de conversa com pessoas de referĂŞncia para discutir temas de relevância da agenda nacional. Entre os assuntos já abordados estĂŁo saĂşde, educação, desenvolvimento urbano, economia e segurança pĂşblica. A conversa “PolĂtica 2.0” coloca em questĂŁo se tudo o que tem sido denominado como tal oferece uma alternativa real de construção da cidadania, alĂ©m da capacidade de agregação e de prospecção de novos aplicativos para a democracia.
Mais IDS no Fórum. O IDS vai participar de outras atividades no Fórum: “A Atualidade da Carta da Terra e a Rio+20”, no dia 28 de janeiro, às 13 horas, na Assembleia Legislativa, e Painel Público “Governança do Desenvolvimento Sustentável, Integridade Ambiental e Justiça Social”, no dia 28 de janeiro, às 9 horas, na Câmara Municipal da cidade. A governança, é bom lembrar, é um dos temas que serão debatidos na Rio+20, em junho deste ano.
Fonte: Portal IDS. O IDS é uma organização da sociedade civil, plural e apartidária que tem como missão criar convergência e potencializar iniciativas que contribuam para colocar a democracia e a sustentabilidade como valores centrais para a vida no século 21. Pretende ser um ator relevante da sociedade civil para a construção de um novo acordo social para o Brasil baseado no fortalecimento da escuta ativa e do diálogo. Para tal, pretende oferecer a “Plataforma Brasil Democrático e Sustentável”, como um canal de participação, agregação e valorização de iniciativas em curso.
