Postado em 08/09/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Corrupção mata

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Com esta sentença de apenas duas palavras na primeira linha do seu inspirado artigo na “Folha”, a senadora Marina Silva disparou nesta sexta-feira uma convocação que poderá transformar o país em curtíssimo prazo. Para sempre.

Por coincidência, na véspera, Dilma Roussef, antiga adversária dentro do governo Lula, declarou solenemente ao lado de um ex-presidente da República (FHC): “A faxina é contra a miséria”. A faxina mencionada pela presidente é contra a corrupção, mas a solenidade onde discursou foi o lançamento do Pacto Sudeste do programa Brasil sem Miséria. Estava armada a equação corrupção=miséria cujo corolário a eloqüência de Marina Silva deu uma messiânica dimensão: miséria mata, corrupção também.

O fuzilamento da juíza Patrícia Acioli que investigava a vinculação de PMs com as milícias em S. Gonçalo, Estado do Rio, escancara o veloz up-grade dos quase inofensivos “crimes de colarinho branco” em bárbaras chacinas cometidas por usuários de boinas negras. O crime só se organiza em ambientes vulneráveis à corrupção. Manifesta-se inocentemente, logo assume a sua malignidade integral.

Consultorias “técnicas”, lobbies para obter vantagens e vencer licitações parecem inocentes exercícios de enriquecimento, pseudo-empreendedorismo. Na verdade são a face desarmada de um sistema subversivo, sanguinário e selvagem, à margem do Estado e de seus códigos.

Miséria e corrupção constituem um monstro de duas cabeças, entidade siamesa, indivisível, que o ativista indiano Anna Hazare resolveu enfrentar, destemido e desarmado. Sua pregação cívica já empolgou milhões de indianos em diversos cantos do país. Sua principal reivindicação agora é a entronização da figura do ombudsman contra a corrupção em todos os níveis, a partir das aldeias.

A principal arma de Anna Hazare (aliás Kisan Baburao Hazare, 74 anos) é a greve de fome. Já fez várias desde 1991, sempre vitorioso. Morrer de fome na Índia é corriqueiro, sacrificar-se sem comer é uma arma política santificada, imbatível. Graças às ameaças de imolar-se Mohandas Gandhi, o Mahatma, encostou o colonizador britânico contra a parede e apressou a independência da Índia em 1947. Gandhi cunhou a expressão Satiagraha, firmeza na verdade (que no Brasil tornou-se caricatura de honestidade).

Hazare tem outras reivindicações (fim das castas, fortalecimento dos conselhos municipais, rigoroso controle de natalidade, combate ao alcoolismo, etc.), mas a corrupção é a sua principal inimiga. Para ele a gigantesca miséria indiana só acabará quando for interrompido o formidável desvio de dinheiro público para o bolso dos privilegiados. Chega ao extremo de pedir a pena de morte para os corruptos.

Hazare não está sozinho: na última greve de fome foi acompanhado por dezenas de ativistas, sua prisão na última semana provocou um protesto nacional. Foi libertado em seguida e já se prepara para outra. A Índia descobriu o seu verdadeiro carma. Uma ONG lançou um site “I paid a bribe” (eu paguei propina) onde o cidadão indica a repartição onde pagou propina e o seu valor. O site já publicou cerca de doze mil episódios de corrupção em menos de um ano.

Brasil e Índia, junto com Rússia e China fazem parte do quarteto BRIC, todos empenhados em erradicar a miséria. Melhor sucedidos serão aqueles que antes liquidarem a corrupção.

Opinião de Alberto Dines, jornalista e escritor é editor responsável pelo Observatório da Imprensa.

Postado em 01/01/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

À presidenta Dilma, meus votos de um bom governo

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Hoje, data em que a primeira mulher assume a Presidência da República do Brasil, torço e peço a Deus para que nosso país possa ir bem nos próximos anos.

A presidenta, como ela gosta de ser chamada, Dilma Rousseff pode ter a certeza de que não farei parte do grupo do quanto pior melhor, da oposição pela oposição. Como disse em vários momentos ao longo da campanha eleitoral de 2010, vou exercer o espírito republicano que deve conduzir o discernimento daqueles que fazem política voltada para o interesse público, sobretudo no reconhecimento dos acertos, na crítica aos equívocos, para que sejam superados, e na disposição democrática de ouvir e buscar consensos amplos e abertos.

Dilma herda dos oito anos de governo Lula um Brasil que atingiu certa maturidade econômica, elevou seu prestígio e respeito na geopolítica internacional, tirou 28 milhões de pessoas da linha da miséria, permitiu que outras 36 milhões passassem a engrossar a classe média e reduziu o desmatamento da Amazônia em 75%.

Ainda assim, nossa presidenta terá de lidar com enormes carências que não foram enfrentadas com eficiência pela administração anterior do PT. A baixa qualidade do nosso sistema educacional persiste. O acesso ao saneamento básico, essencial para melhorar o padrão de saúde da população, está longe da universalização (apenas 40% do lares têm acesso à rede de esgoto). Os governos federal e estaduais não cumprem sua parte no financiamento da saúde pública, o que amplia o ônus para os municípios e, portanto, afeta o atendimento aos que dela necessitam. Os ruralistas agem no Congresso, com apoio de segmentos da base do governo, para reformular o Código Florestal e conter os avanços da legislação ambiental no país. O crack virou uma epidemia e coloca sob ameaça uma geração de jovens. A segurança pública em diversas das grandes cidades do país está sob constante ameaça, e a população sob intenso medo.

Isso sem contar os esquemas de corrupção que se alimentam do poder público, tentam dominá-lo para satisfazer seus interesses particulares e buscam restringir as ações daqueles que se opõem com firmeza aos desmandos e abusos.

É para a superação desse passivo social e político que eu espero ver ações contundentes do governo Dilma para fazer jus à confiança que a maioria dos brasileiros deposita em sua futura administração.

Pelo fato de ser mulher, espero também que nossa presidenta ponha a serviço da política aquilo que nos diferencia do jeito masculino de liderar – capacidade de escutar e de acolher, a busca do entendimento e do equilíbrio, a gestação do futuro.

O Brasil tem tudo para se tornar uma das grandes lideranças deste século, não na corrida insensata apenas pelo poder econômico, mas, sim, na construção de um planeta no qual a vida em todas as suas formas seja celebrada, que consiga fazer do grave estado de degradação a que chegou, o ponto de partida para um futuro no qual todas as pessoas e nosso ambiente natural sejam respeitados e tratados com dignidade. Compete à nova presidenta se engajar na realização desse desígnio e fazer a sua parte para assegurar o bem-estar à atual e às próximas gerações de brasileiros.

A hora do compromisso é agora. A Dilma Rousseff, meus votos de sucesso.

Marina Silva, 52, é senadora do Acre pelo PV, foi candidata do partido à Presidência da República nestas eleições e ministra do Meio Ambiente do governo Lula (2003-2008).

Postado em 26/05/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Corrupção, segurança pública e sustentabilidade em foco na rádio BandNews

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Ouça agora entrevista de Marina Silva realizada a pouco na BandNews FM. Em perguntas feitas pelo âncora Boris Casoy, foram abordados os temas das políticas de segurança pública para a repressão e prevenção à criminalidade, da corrupção política e ainda questões ambientais como Belo Monte e matrizes energéticas seguras – caso das energias eólica e solar.

Parte 1

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Parte 2

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