Postado em 23/04/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

A saída de Ciro e o retrocesso democrático

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Qual o sentido político da democracia? É a liberdade de escolha bem informada. Numa eleição em dois turnos, como a presidencial, o primeiro foi concebido para oferecer ao eleitor um leque de alternativas políticas. A partir da diversidade de idéias e do debate entre elas, compete ao cidadão escolher as que entende serem as melhores para si e para o país.

É particularmente perverso que esse processo, que está no cerne da democracia, seja instrumentalizado para impedir abalos na manutenção de projetos de poder. Não é admissível que se queira manipular o direito de escolha por meio da redução forçada do leque de opções.

Assistimos agora, com o veto à candidatura de Ciro Gomes, a uma expressão exemplar desse tipo de intolerância democrática. É fácil prever que os mesmos grupos que trabalharam para tirar Ciro da disputa presidencial tentarão agora assimilá-lo.

Os que costumam agir dessa maneira são aqueles que têm dificuldade em transformar a visão democrática em ação e não admitem a alternância de poder. Primeiro, buscam eliminar os adversários que querem disputar legitimamente a preferência dos eleitores. Depois, tentam se colocar como o único hospedeiro possível para que os expurgados consigam sobreviver na vida pública.

Aquele que foi empurrado para fora do processo passa então a ser apontado como bom companheiro, patriota, desde que aceite ser assimilado por aqueles que articularam o seu expurgo.

Perde o país, perde a democracia.

Postado em 01/04/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

Alternância de poder

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O fato de as pessoas aprovarem o que está sendo feito por um governo não significa que elas queiram eternizar quem esteja no poder.

O Chile acaba de dar uma demonstração disso. Os chilenos avaliavam bem o governo, mas elegeram um candidato de outro partido apostando que esse candidato manterá as conquistas e integrará novas alternativas.

As pessoas são sábias em relação àquilo que chamamos de alternância de poder, porque ela promove o equilíbrio. Se não, as forças políticas se acomodam e o patrimonialismo se instala cada vez mais.

A expectativa de alternância do poder faz com que quem assume o poder tenha que fazer cada vez mais e melhor para ser aceito.