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	<title>Marina Silva &#187; acre</title>
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	<description>Blog da Marina Silva, ambientalista, senadora do Estado do Acre e pré-candidata à Presidência da República pelo Partido Verde</description>
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		<title>Marina encontra Lucy Ramos na 1ª edição do prêmio Personalidade Acreana</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 19:32:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Na quinta-feira, (24/11), foi realizada no Afa Jardim, em Rio Branco, a 1ª edição do prêmio Personalidade Acreana, promovida pela apresentadora Jocely Abreu (na foto com Marina e Lucy). Marina foi a homenageada de honra do evento que contou com a apresentação de Lucy Ramos, atriz que vai interpretar Marina no cinema. O filme sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Jo-Marina-Lucy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8114" title="Jo-Marina-Lucy" src="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Jo-Marina-Lucy.jpg" alt="" width="500" height="347" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta-feira, (24/11), foi realizada no Afa Jardim, em Rio Branco, a 1ª edição do prêmio Personalidade Acreana, promovida pela apresentadora Jocely Abreu (na foto com Marina e Lucy). Marina foi a homenageada de honra do evento que contou com a apresentação de Lucy Ramos, atriz que vai interpretar Marina no cinema.</p>
<p>O filme sobre Marina Silva será dirigido por Sandra Werneck, tem como título provisório &#8220;Marina e o Tempo&#8221;, e deve estrear no segundo semestre de 2013.</p>
<p><a href="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Marina-Lucy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8115" title="Marina-Lucy" src="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Marina-Lucy.jpg" alt="" width="500" height="315" /></a></p>
<p>&nbsp;<br />
<em><strong>Fotos:</strong> Ivoney Júnior (Studio 12)</em></p>
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		<title>“Às vezes a gente tem que sair de casa para poder continuar junto”, afirma, emocionada, Marina</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Sep 2010 21:34:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quando, aos 16 anos, saiu de sua casa no seringal para se tornar freira em Rio Branco, Marina Silva conseguiu &#8220;trincar os dentes&#8221; para não chorar. Agora, lembra daquele momento com lágrimas nos olhos e a voz embargada. &#8220;Um dia eu deixei essa família maravilhosa, em uma situação vulnerável, apostando em um sonho. No sonho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando, aos 16 anos, saiu de sua casa no seringal para se tornar freira em Rio Branco, Marina Silva conseguiu &#8220;trincar os dentes&#8221; para não chorar. Agora, lembra daquele momento com lágrimas nos olhos e a voz embargada. &#8220;Um dia eu deixei essa família maravilhosa, em uma situação vulnerável, apostando em um sonho. No sonho de estudar&#8221;, disse emocionada, neste domingo (5), em sua terra natal, o Acre.</p>
<p>No lançamento de sua biografia, na livraria Paim, a candidata explicou que, em 1975, não chorou ao entrar no ônibus rumo a Rio Branco para que os passageiros &#8211; muitos de seringais vizinhos ao Bagaço, onde vivia sua família &#8211; não achassem que ela tivesse sido expulsa pelos pais, uma situação comum para as mulheres que engravidavam antes do casamento.</p>
<p>Temeu pela imagem de seu pai e só chorou ao escurecer, quando ninguém poderia ver. &#8220;Mas eu já aprendi que você não é tão autossuficiente assim, porque eles continuaram lá e estão aqui inteiros, me sustentando, verdadeiros&#8221;, explicou Marina apontando para os muitos parentes presentes, &#8220;um pedacinho da família Silva&#8221;, como chamou. Entre eles, muitas de suas irmãs e o irmão, além de seu pai, Pedro Agostinho, e o marido, Fábio Vaz.</p>
<p>Com a presença de companheiros da época em que militava pelo PT, Marina disse que, na ocasião de seu desligamento do Ministério do Meio Ambiente, em maio de 2008, citou o provérbio &#8220;a derrota ou a vitória só se mede na história&#8221; para explicar seu sentimento.</p>
<p>“Estou me sentindo vitoriosa, porque o que eu queria é que o desmatamento caísse e, no Dia da Amazônia, o alerta agora é para que a gente assuma a bandeira da sustentabilidade econômica, social, ambiental, política, cultural e ética&#8221;, afirmou.</p>
<p>A presidenciável fez questão de reiterar que as respostas técnicas para os problemas do Brasil já existem em sua grande maioria, o que falta é o compromisso ético para que esse cenário seja mudado.</p>
<p>&#8220;Às vezes a gente tem que sair de casa para poder continuar junto. Às vezes a gente pode até ficar um pouquinho distante para que a gente possa ficar unidos para sempre”, finalizou Marina com emoção.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/gy2MDXVNp84?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/gy2MDXVNp84?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Os primeiros anos na política</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 22:13:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Marina</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em entrevista concedida ao radialista Mário Kertész, da rádio baiana Metrópole, Marina Silva teve a oportunidade de contar um pouco sobre sua trajetória política desde que se candidatou a uma vaga na Câmara Municipal de Rio Branco (AC) em 1988. Além de falar de sua carreira política, respondeu sobre a suposta repetição de seu discurso, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em entrevista concedida ao radialista Mário Kertész, da rádio baiana Metrópole, Marina Silva teve a oportunidade de contar um pouco sobre sua trajetória política desde que se candidatou a uma vaga na Câmara Municipal de Rio Branco (AC) em 1988.</p>
<p>Além de falar de sua carreira política, respondeu sobre a suposta repetição de seu discurso, que estaria ligado apenas às temáticas de meio ambiente. Ouça a íntegra desse áudio.</p>
<p><a href="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/Marina-e-Chico-cartaz.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1765" title="Marina e Chico-cartaz" src="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/Marina-e-Chico-cartaz-209x300.jpg" alt="" width="209" height="300" /></a></p>
<p>1. Então Marina, me conte um pouco sobre sua vida. A senhora começou na política como vereadora, não foi?</p>
<blockquote><p>“Naquela época, no Acre, para ganhar um mandato de senador só os que tinham sido ex-governadores ou quem tinha muito dinheiro. Essas pessoas normalmente eram muito poderosas. A gente até chamava de &#8220;coronéis de barranco&#8221;, que eram os herdeiros dos antigos seringais, os patrões e seus remanescentes. Quando eu saí [candidata] não tinha recursos, ainda estava com problemas de saúde e tinha muita dificuldade em angariar apoio financeiro, tanto é que minha campanha teve a irrisória quantia de 32 mil reais para concorrer com quem gastava milhões.”</p></blockquote>
<p>2. Como é que a senhora conseguiu a vitória para o senado? Não deve ter sido fácil vencer as forças políticas mais conservadoras.</p>
<p>3. E o segundo mandato, como foi a disputa?</p>
<p>4. Em 2002, na época da sua reeleição também foi a primeira vez que o presidente Lula foi eleito à presidência. A senhora estava no PT ao lado dele. Ele foi bem votado no Acre?</p>
<p>5. Senadora, desde essa época a senhora teve desentendimentos ou formas diferentes de ver os problemas que a também pré-candidata à presidência Dilma Rousseff?</p>
<p>6. Alguns críticos da sua candidatura dizem que ela é monotemática, que sua agenda é monotemática no sentido que de que sempre gira em torno dessa questão que você acaba de colocar?</p>
<blockquote><p>“Defender o desenvolvimento sustentável e o meio ambiente é defender qualidade de vida digna para as pessoas, agora toda a vez que pode-se sim desenvolver, pode-se sim usar as riquezas mas com cuidadosa aí as pessoas vê com essa história de que você está fazendo uma discussão monotemática. Não é. Você está discutindo educação, saúde, moradia digna para as pessoas, salário digno e descente para as pessoas e, ao mesmo tempo, cuidar do meio ambiente.”</p></blockquote>
<blockquote><p>“Não é samba de uma nota só coisa nenhuma. Quem fala isso é porque não compreendeu ainda o tamanho do desafio que nós temos de usar os recursos [naturais], mas, ao mesmo tempo, preservá-los para as futuras gerações.”</p></blockquote>
<p>7. Senadora Marina Silva,há algum tempo se falou que o filme &#8220;Lula, o Filho do Brasil” iria beneficiar a candidatura de Dilma Rousseff. Agora algumas pessoas estão dizendo que “Avatar” vai beneficiar sua candidatura porque desperta nas pessoas um sentimento muito forte de defesa ao meio ambiente. O que a senhora acha disso?</p>
<p>8. O que a senhora achou do que aconteceu com Ciro Gomes?</p>
<p>9. O seu partido, o PV, parece que está dividido aqui na Bahia. Uma parte dele apóia a pré-candidatura do deputado Luiz Bassuma ao Governo do Estado e outra parte quer o processo de reeleição de Jaques Wagner. Como é que a senhora pretende ajudar nesse processo de unificação do partido?</p>
<p>10. Quando é que a senhora pretende vir aqui à Bahia? Estamos te esperando</p>
<p>11. Espero também que venha aqui no estúdio da rádio para responder aos nossos ouvintes.</p>
<p>12. Quando no senado federal, como foi seu convívio com o senador Antônio Carlos Magalhães aqui da Bahia?</p>
<p>Considerações finais de Mário Kertész e Marina Silva.</p>
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		<title>&#8220;Sou sonhadora&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 13:14:16 +0000</pubDate>
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<p><object width="500" height="405"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uyvOI-IZ1pQ&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x234900&#038;color2=0x4e9e00&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/uyvOI-IZ1pQ&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x234900&#038;color2=0x4e9e00&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="405"></embed></object></p>
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		<title>PAC não pode ser palanque eleitoral</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 23:42:03 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em meu entendimento, a Justiça já demonstrou que há, sim, um uso político dessas inaugurações, uma vez que o presidente Lula já foi multado duas vezes por ter tratado a ministra Dilma Rousseff como candidata nesses eventos. Os Poderes da nação têm que cumprir a lei. O exemplo tem que vir de cima. É muito negativo ter, o tempo todo, essa sensação de extrapolação do cumprimento da legislação eleitoral.  O PT sempre reclamou muito desse tipo de conduta. É lamentável que agora isso esteja acontecendo dessa forma.</p>
<p>O país precisa de um programa de infraestrutura mais abrangente do que o PAC, que não é um programa, é uma colagem de obras. O que tem sido feito é um gerenciamento dessas obras, para ver como está o andamento, a aplicação de recursos, as especificações técnicas. O que se tem, de fato, é um gerenciamento dessa colagem.</p>
<p>Um programa voltado para a infraestrutura deve levar em conta a dinâmica e a expectativa de crescimento que o país terá para os próximos 20 ou 30 anos. Boa parte das demandas compreendidas pelo PAC são legítimas, mas outras não ligam ‘lé com cré’.</p>
<p>Cito, um exemplo do meu estado, a BR-319. É uma estrada de cunho político e eleitoreiro. De um lado, nós temos a BR-163 que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) para o escoamento da produção. De outro lado, temos a hidrovia do rio Madeira, também utilizada para escoamento. Querem abrir outra rodovia com 400 km no meio da mata virgem investindo bilhões de Reais e dizem a função é que as pessoas atravessem de Manaus para Rondônia de carro. Dizem que não haverá atividade econômica ao longo desse trecho. Se esse é o caso, então, seria mais fácil subsidiar as passagens aéreas para as pessoas viajarem nesse trecho.</p>
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		<title>&#8220;Cada uma de nós tem dentro de si uma história&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 11:25:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Assista a seguir a mensagem gravada pela Marina sobre o Dia Internacional da Mulher.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assista a seguir a mensagem gravada pela Marina sobre o <a href="http://www.minhamarina.org.br/blog/2010/03/8-de-marco/" target="_self">Dia Internacional da Mulher</a>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/hl1lQs73We8&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/hl1lQs73We8&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Avatar e a síndrome do invasor</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 12:02:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Aviso: O texto a seguir menciona partes da história do filme Avatar de James Cameron e, por isso, pode tirar a surpresa de quem ainda não o assistiu. Teve um momento, vendo Avatar, que me peguei levando a mão à frente para tocar a gota d´água sobre uma folha, tão linda e fresca. Do jeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Aviso:</strong> O texto a seguir menciona partes da história do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avatar_%28filme%29" target="_blank">filme Avatar</a> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/James_Cameron" target="_blank">James Cameron</a> e, por isso, pode tirar a surpresa <em>de quem ainda não o assistiu.</em></em></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/officialavatarmovie/4054081733/"><img class="alignleft size-medium wp-image-702" title="Avatar" src="http://www.minhamarina.org.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/4054081733_507f5236a4-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a></p>
<p>Teve um momento, vendo Avatar, que me peguei levando a mão à frente para tocar a gota d´água sobre uma folha, tão linda e fresca. Do jeito que eu fazia quando andava pela floresta onde me criei, no Acre.</p>
<p><strong>Lembranças</strong></p>
<p>A guerreira na&#8217;vi bebendo água na folha como a gente bebia. No período seco, quando os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Igarap%C3%A9" target="_blank">igarapés</a> quase desapareciam, o cipó de ambé nos fornecia água. Esse cipó é uma espécie de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Touceira" target="_blank">touceira</a> que cai lá do alto das árvores, de quase 35 metros, e vai endurecendo conforme o tempo passa. Mas os talos mais novos, ainda macios, podem ser cortados com facilidade. Então, a gente botava uma lata embaixo, aparando as gotas, e quando voltava da coleta do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%A1tex" target="_blank">látex</a>, a lata estava cheia. Era uma água pura, cristalina, que meu pai chamava de água de cipó. E aprendíamos também que se nos perdêssemos na mata, era importante procurar cipó de ambé, para garantir a sobrevivência.</p>
<p>Me tocou muito  ver a guerreira na&#8217;vi ensinando os segredos da mata. Veio à mente minhas andanças pela floresta com meu pai e minhas irmãs. Ele fazia um jogo pra ver quem sabia mais nomes de árvores. Quem ganhasse era dispensada, ao chegar em casa, de cortar cavaco para fazer o fogo e defumar a borracha que estávamos levando. A disputa era grande e nisso ganhávamos cada vez mais intimidade com a floresta, suas riquezas e seus riscos.</p>
<p>A gente aprendia a reconhecer bichos, árvores, cipós, cheiros. Catávamos a <a href="http://www.treklens.com/gallery/South_America/Brazil/Southeast/Rio_de_Janeiro/Mambucaba_%28Vila_Residencial%29/photo493549.htm" target="_blank">flor do maracujá bravo</a> pra beber o néctar, abrindo com cuidado o miolinho da flor. Lá se encontrava um tiquinho de mel tão doce que às vezes dava até agonia no juízo, como costumávamos dizer.</p>
<p><strong>É incrível revisitar, misturada à grandiosidade tecnológica e plástica de Avatar, a nossa própria vida,  também grandiosa na sua simplicidade. </strong>Sofrida e densa, cheia de riscos, mas insubstituível em beleza e força. Éramos muito pobres, mas não passávamos fome. A floresta nos alimentava. A água  corria no igarapé. Castanha, abiu, bacuri, breu, o fruto da copaiba, pama, taperebá, jatobá, jutai, todas estavam ao alcance. As resinas serviam de remédio, a casca do jatobá para fazer chá contra anemia. Folha de sororoca servia pra assar peixe e também conservar o sal. Como ele derretia com a umidade, tinha que tirar do saco e embrulhar na folha bem grande, que geralmente nasce em região de várzea. Depois amarrava com imbira e deixava pendurado no alto do fumeiro para que o calor mantivesse o sal em boas condições. Aprendi também com meu pai e meu tio a identificar as folhas venenosas que podiam matar só de usá-las para fazer os cones com que bebíamos água na mata.</p>
<p><strong>Ficção e realidade</strong></p>
<p>O filme foi um passeio interno por tudo isso. Chorei diversas vezes e um dos momentos mais fortes foi quando derrubam a grande árvore. Era a derrubada de um mundo, com tudo o que nele fazia sentido. E enquanto cai o mundo, cai também a confiança entre os diferentes, quando o personagem principal se confessa um agente infiltrado para descobrir as vulnerabilidades dos na&#8217;vi. E, em seguida, a grande beleza da cena em que, para ser novamente aceito no grupo, tem a coragem de fazer algo fora do comum, montando o pássaro que só o ancestral da tribo tinha montado, num ato simbólico de assunção plena de sua nova identidade.</p>
<p>O filme também me remeteu ao aprendizado ao contrário, quando fui para a cidade e comecei a aprender os códigos daquele mundo tão estranho para mim. Ali fui conduzida por pessoas que me ensinaram tudo, me apontaram as belezas e os riscos. E também enfrentei, junto com eles, o mal e a violência da destruição.</p>
<p><strong>Impossível não fazer as conexões entre o mundo de Pandora, em Avatar, e nossa história no Acre. </strong>Principalmente quando, a partir da década de 70 do século passado, transformaram extensas áreas da Amazônia em fazendas, expulsando pessoas e comunidades, queimando casas, matando índios e seringueiros. A arrasadora chegada do “progresso” ao Acre seguiu, de certa forma, a mesma narrativa do filme. <strong>Nossa história, nossa forma de vida, nosso conhecimento, nossas lendas e mitos, nada disso tinha valor para quem chegava disposto a derrubar a mata, concentrar a propriedade da terra, cercar, plantar capim e criar boi.</strong> Para eles era “lógico” tirar do caminho quem ousava se contrapor.  Os empates, a resistência, a luta quase kamikaze para defender a floresta, usando os próprios corpos como escudos, revi internamente tudo isso enquanto assistia Avatar.</p>
<p>A ficção dialoga muito profundamente com a realidade. Seres humanos, sem conhecimento sensível do que é a natureza, chegam destruindo tudo em nome de um resultado imediato, com toda a virulência de quem não atribui nenhum valor àquilo que está fora da fronteira estreita do seu interesse imediato. No filme, como o valor em questão era a riqueza do minério, a floresta em si, com toda aquela conectividade, toda a impressionante integração entre energias e formas de vida, não vale nada para os invasores. Pior, é um estorvo, uma contingência desagradável a ser superada.</p>
<p><strong>Síndrome do invasor</strong></p>
<p>Encontrei na tela, em 3D e muita beleza plástica e criatividade, um laço profundo e emocionante com a nossa saga no Acre, com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Mendes" target="_blank">Chico Mendes</a>. <strong>E percebi que, assim como no filme, éramos considerados praticamente alienígenas, não humanos, não portadores de direitos e interesses diante dos que chegavam para ocupar nosso espaço. </strong></p>
<p>É uma visão tão arrogante, tão ciosa da exclusividade do seu saber, que tudo o mais é tido como  desimportante e, consequentemente, não deve ser levado em conta. É como se se pudesse, por um ato de vontade e comando, anular a própria realidade. Como se o que está no lugar que se transformou em seu objeto de desejo, fosse uma anomalia, um exotismo, uma excrescência menor.</p>
<p>E, afinal, essa arrogância vem da ignorância e da falta de instrumentos e linguagem para apreender a riqueza da diferença e extrair dela algum significado relevante e agregador de valor.  <strong>Numa inversão trágica, a diferença  é vista apenas como argumento para subjugar, para estabelecer autoritariamente uma auto-definida superioridade. </strong>Poderíamos chamar tudo isso de síndrome do invasor, cujo principal sintoma é a convicção cega e ensandecida, movida a delírios de poder de mando e poder monetário, de ser o centro do mundo.</p>
<p><strong>No Acre nos deparamos com muitos que viam nossos argumentos como sinônimo de crendices, superstição. Coisa de gente preguiçosa que seria “curada”  pelo suposto progresso de que eles se achavam portadores. </strong>Por outro lado, também chegaram muitos forasteiros que, tal como a cientista de Avatar e o grupo que a seguiu, compreenderam que nosso modo de vida e a conservação da floresta eram uma forma de conhecimento que poderia interagir com o que havia de mais avançado no universo da tecnologia, da pesquisa acadêmica e das propostas políticas de mudanças no modelo de desenvolvimento que eram formuladas em todo o mundo. Com eles, trocamos códigos culturais, aprendemos e ensinamos.</p>
<p><strong>Avatar nos leva a tomar partido</strong></p>
<p><strong></strong>Fiquei muito impressionada como esse processo está impregnado no personagem principal de Avatar. Ele se angustia por não saber mais quem é, e só recupera sua integridade e identidade real quando começa a se colocar no lugar do outro e ver de maneira nova o que antes lhe parecia tão certo e incontestável. Sua perspectiva mudou quando viu a realidade a partir do olhar e dos sentimentos do outro, fazendo com que a simbiose presente no avatar, destinado a operar a assimilação e subjugação dos diferentes, se transformasse num poderoso instrumento para ajudá-los a resistir à destruição.</p>
<p><strong>Pode-se até  ver no filme um fio condutor banal, uma história de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Romeu_e_Julieta" target="_blank">Romeu e Julieta</a> intergalática.</strong> Não creio que isso seja o mais importante. Se os argumentos não são tão densos, a densidade é complementada pela imagem poderosa e envolvente, pelo lúdico e a simplicidade da fala. Se houvesse uma saturação de fala, de conteúdos, creio que perderia muito. <strong>A força está em, de certa maneira, nos levar a sermos avatares também e a tomar partido, não só ao estilo do Bem contra o Mal, mas em favor da beleza, da inventividade, da sobrevivência de lógicas de vida que saiam da corrente hegemônica e proclamem valores para além do cálculo material que justifica e considera normais a escravidão e a destruição dos semelhantes e da natureza. </strong></p>
<p><strong>Achei meu &#8220;povo&#8221;</strong></p>
<p><strong>E, se nada mais tenho a dizer sobre Avatar, quero confessar que aquele povo na&#8217;vi tão magrinho e tão bonito foi para mim um alento. </strong>Quando fiquei muito magra, na adolescência, depois de várias <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mal%C3%A1ria" target="_blank">malárias</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hepatite" target="_blank">hepatite</a>, me considerava estranha diante do padrão de beleza que era o das meninas de pernas mais grossas, mais encorpadas. Sofria por ser magrinha demais, sem muitos atributos. Agora  tenho a divertida sensação de que, finalmente, achei o meu “povo”, ainda que um pouco tarde. Houvesse os navi na minha adolescência e, finalmente, eu teria encontrado o meio onde  minhas medidas seriam consideradas perfeitamente normais.</p>
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