Marina Silva falou sobre o adiamento da votação do novo Código Florestal em entrevista ao jornalista e âncora do Jornal da Record News Heródoto Barbeiro.
Postado em 07/03/2012 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral
Três banners foram colocados hoje pela manhã nas pontes do Paraíso, Sumaré e Cidade Universitária, em São Paulo. Cada faixa contém as frases: “No Dia das Mulheres, dê florestas. Deputados, não destruam o Código Florestal”
A ação foi organizada pelo movimento Brasil pelas Florestas e tem como objetivo chamar a atenção para a votação da alteração do texto do Código Florestal que acontece em 6 e 7 de março, na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, associa a proximidade da votação com o Dia das Mulheres, pedindo a preservação das florestas.
Além de sensibilizar a população quanto à problemática, a intenção é fazer um apelo aos deputados para que não permitam que este pacote de ameaças à sociedade e ao meio ambiente seja aprovado. Para o movimento, as mudanças representam um retrocesso na legislação socioambiental brasileira, pois favorece o aumento do desmatamento e anistia infrações e crimes ambientais, emitidas até julho de 2008, incitando a impunidade.
Lembrando que as alterações beneficiam diretamente à bancada ruralista, que atualmente integra cerca de 30 % da Câmara e é formada por deputados, que em sua maioria, são grandes proprietários de terras que têm dívidas ambientais.
O texto, se for aprovado na Câmara, será submetido ainda à sanção da presidenta Dilma Rousseff que, durante a campanha eleitoral de 2010, assinou compromisso de que vetaria quaisquer dispositivos que anistiassem crimes ambientais e promovessem desmatamentos. Por isso, a posição do movimento, caso isso aconteça, é exigir o veto da presidenta, cobrando que seja cumprido o que foi prometido.
O ato faz parte de uma campanha lançada em 28 de fevereiro pelo movimento, que inclui outras ações articuladas, como viral pela Internet e atividades, em São Paulo, com oficina, filme e debates.
Sobre o Brasil Pelas Florestas
O Movimento Brasil Pelas Florestas é um movimento apartidário com base em São Paulo, sem vínculos com instituições e empresas, apenas parcerias e apoiadores. Ele surge como uma demanda da sociedade pela conservação do patrimônio ambiental e étnico do Brasil, tendo em vista a sua importância para a sustentação da sociedade humana em todas as suas dimensões.
Fotos em alta resolução: http://www.sendspace.com/file/waljel
Postado em 07/03/2012 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral
*Artigo de MARIA ALICE SETUBAL para a Folha de São Paulo.
Como esperar que os nossos filhos sejam abertos à diversidade, se em casa somos intolerantes?
Minha mãe costumava dizer que os “filhos são nossa obra-prima”. Já meu pai, mais pragmático, falava sempre que “difícil, na vida, é educar os filhos; a gente dá um jeito no resto”. Como fazer da difícil tarefa de educar os filhos uma obra-prima?
A globalização, o acesso às informações em tempo real e a velocidade das mudanças nos deixam atônitos e paralisados, sem respostas assertivas para orientar nossa conduta em relação aos filhos.
O padrão de sociedade que construímos está na raiz de questões com as quais nós, pais e educadores, nos deparamos. Uma sociedade na qual as relações são baseadas em consumo e aparências, afetando o respeito ao outro na sua diferença e a vida do planeta como um todo.
Em uma sociedade em que o consumo é o eixo em torno do qual se desenvolvem toda a economia e os valores, o “ter” se sobrepõe ao “ser” de forma avassaladora. É difícil trilhar um caminho inverso.
Somos valorizados pelo que aparentamos ou temos, o que torna vazias as formas de interação social.
Sem nos darmos conta, principalmente nas grandes cidades, acabamos não tendo tempo para conhecer as pessoas, nem mesmo aquelas à nossa volta. Não sabemos mais como cultivar a convivência jogando conversa fora ou buscando uma reflexão que nos tire do lugar-comum, do superficial pasteurizado da comunicação de massas e das mídias sociais.
Na semana passada, em entrevista a uma revista semanal, a escritora americana Rosalind Wiseman, especialista em “bullying”, destacou a dificuldade dos pais em impor limites aos filhos. Ela afirma que, muitas vezes, os pais se colocam como cúmplices dos filhos, não só defendendo-os de forma incondicional, como também dando o mau exemplo em casa.
Como esperar que crianças e jovens sejam solidários e abertos à diversidade cultural e social, se em casa somos intolerantes, preconceituosos e autoritários? Como construir relações sociais mais consistentes e verdadeiras, se incentivamos de forma exagerada nossos filhos a usarem grifes e, sobretudo, valorizamos amizades relacionadas a prestígio e poder?
Vivemos um momento de transição para um paradigma em que a sustentabilidade deve ser o eixo da nova sociedade. E precisamos educar nossos filhos orientados por essa concepção, pois esse será o mundo em que eles irão viver. Um mundo onde a interdependência entre o ser humano e seu entorno, assim como a inter-relação entre o local, o regional e o global são premissas básicas.
Somos cidadãos planetários e por isso o “cuidado”, ao lado do diálogo, da diversidade cultural e da cooperação, passa a ser um valor fundamental em todos os setores: economia, cultura e educação. Precisamos aprender a cuidar de nós mesmos, do outro e do ambiente em que vivemos. A globalização e as novas tecnologias nos conectaram uns aos outros e abriram novas formas de ser, pensar, sentir e agir.
Consumo responsável, alimentação saudável, respeito às diversidades, saber ouvir e participar da vida social e política, criatividade e inovação poderão ser os novos pilares da sociedade contemporânea -e o Brasil tem todas as condições para trilhar esse caminho.
Resta saber se teremos a maturidade e as condições para a construção e a afirmação de novos valores. Papel esse que é de toda a sociedade, mas, sobretudo, é responsabilidade dos pais.
Pesquisas e a experiência de instituições e profissionais que trabalham com jovens mostram que, para eles, a família é a instituição de maior valor, o seu porto seguro. Sobretudo para jovens de baixa renda, a mãe é a grande referência em suas vidas.
Portanto, faço aqui um convite para refletirmos sobre que educação queremos dar aos nossos filhos, para que vivam a contemporaneidade que o século 21 nos impõe.
*Artigo escrito para a Folha de São Paulo por MARIA ALICE SETUBAL. Neca Setubal é doutora em psicologia da educação (PUC-SP) e presidente dos Conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, da Fundação Tide Setubal e do Instituto Democracia e Sustentabilidade