BBC Brasil – E qual deve ser o peso do possÃvel candidato Ciro Gomes (PSB) e da candidata Marina Silva (PV) nessa disputa?
Singer – Ciro Gomes já foi candidato por duas vezes, e ele tem, nessas candidaturas, uma trajetória bem coerente.
Ele está procurando ocupar um espaço de centro-esquerda, que era o espaço original do PSDB e que o PSDB abandonou quando fez uma aliança à direita com o então PFL, hoje Democratas, e uma polÃtica mais conservadora.
Nesse sentido, ele (Ciro Gomes) tem razão quando diz que disputa também com o candidato do PSDB, que ele pode tirar votos do candidato do PSDB.
Ao mesmo tempo, como o PT se deslocou em direção ao centro, o PT também passou a disputar esse espaço, a partir de 2002. Então, eu diria que ele (Ciro) tira votos de um e de outro.
Já a candidatura Marina é um pouco diferente. Ela é uma candidatura nova, que tem, a meu ver, um potencial de atrair setores de classe média, sobretudo universitários, que têm muita simpatia pela causa ambientalista.
Ela, de fato, será a primeira candidatura que os cientistas polÃticos chamam de pós-materialista, porque ela vai tentar sair um pouco da agenda principal, que é a questão da distribuição da renda.
Como eu acho que o Brasil ainda é um paÃs em que a questão da distribuição de renda está muito presente, eu não acredito que ela tenha possibilidade de passar muito de 10% dos votos. Mas esses 10% seriam já uma votação muito significativa e podem ser o fiel da balança.
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