Postado em 05/05/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Eco

Milhares de voluntários se preparam para limpar petróleo na costa dos EUA

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da Efe, em Washington

Milhares de voluntários começaram a se mobilizar e a receber capacitação da empresa British Petroleum e das administrações locais para trabalhar na limpeza do óleo que vazou no golfo do México e se aproxima da região costeira.

Perante o deslocamento da mancha de petróleo em direção às costas dos estados americanos de Louisiana, Mississipi, Flórida e Alabama, os voluntários, procedentes de diferentes pontos dos EUA, podem ser convocados para agir nas próximas semanas, segundo fontes das organizações de voluntários.

Por enquanto, a companhia petrolífera britânica e autoridades ofereceram pelo menos uma dezena de sessões de treino em várias localidades da Louisiana e do Mississipi, nas quais dedicaram 20 minutos para oferecer conselhos sobre segurança e saúde, como hidratação e proteção solar e outros 45 para tirar dúvidas.

Embora as ações de limpeza ainda estejam em fase de planejamento, uma coalizão de organizações pôs à disposição das autoridades suas bases de dados para mobilizar mais gente.

A grande participação superou as previsões das organizações, que foram obrigadas a atender, informar e pedir aos voluntários que esperem.

Especialistas da indústria petrolífera advertiram hoje no Congresso dos EUA que o derramamento de petróleo no golfo do México poderia superar 40 mil barris (6,4 milhões de litros) diários.

O vazamento poderia ser oito vezes superior ao de cinco mil barris diários (800 mil litros) calculados após o afundamento no último dia 22 de abril da plataforma “Deepwater Horizon”, operada pela British Petroleum (BP), dois dias após uma explosão que matou 11 trabalhadores.

Publicado originalmente na Folha Online dia 5 de maio.

Postado em 03/05/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Eco

Mercado de carbono sem a ONU

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Tentativa de leilão da BM&F Bovespa consolida o Brasil como um player no mercado global de carbono.

Por Karen Windham-Bellord

Nas discussões climáticas em Bonn, em Abril, com o objetivo de progredir nas negociações e definir questões organizacionais e metodológicas de trabalho, Yvo de Boer, presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, afirmou que a próxima Conferência das Partes (COP), em Cancún, em novembro, não chegará a um instrumento definitivo para substituir o Protocolo de Kyoto, que expirará em 2012.

A COP de Copenhague realizada em dezembro de 2009 não garantiu um acordo entre os 194 membros da Convenção do Clima (sendo que 190 ratificaram o Protocolo), mas a presidência da COP elaborou uma minuta de acordo, que tem sido criticado pela falta de transparência em sua elaboração. Todavia, até agora 112 países já o apoiaram.

Para os mais otimistas, houve progresso porque houve promessa de financiamento de atividades de mitigação e adaptação em países em desenvolvimento de US$ 30 bilhões no período de 2010 a 2012 e de mais US$ 100 bilhões pós 2020.

A possível falta de regulamentação das Nações Unidas para 2013 gera grande insegurança no mercado de carbono ligado a Kyoto. Tal mercado foi desenvolvido para que os países que se obrigaram a uma meta de emissão de gases causadores do efeito estufa (GEE) pudessem cumpri-las. O Protocolo de Kyoto serviu de inspiração para os mercados voluntários onde empresas estabelecem metas voluntárias de redução vão ao mercado para alcançá-las, por meio da compra de créditos (caso o preço da redução de suas emissões esteja acima do preço de venda do crédito) ou da venda de créditos (caso consigam diminuir as emissões de forma mais barata que o preço do crédito comercializado). Essa alocação de recursos promove a redução eficiente de GEE, sendo esse o grande mérito do mercado de créditos de carbono.

O mercado de carbono de Kyoto tem movimentado menos recursos após a COP de Copenhague. A falta de consenso reside em questões básicas, tais como, se haverá um ou dois instrumentos sucessores de Kyoto, dividindo ou não as obrigações dos países desenvolvidos, em desenvolvimento e daqueles em economia de transição. Os países em desenvolvimento até há pouco tempo favoreciam a inexistência de qualquer forma de limitação em suas emissões uma vez que historicamente foram os países desenvolvidos que mais emitiram GEE. Todavia, na preparação para a COP, China, Índia e Brasil mudaram de posição e enviaram sinais positivos de sua disposição a assumir obrigações voluntárias. O grande problema a ser superado em Cancun é a total falta de confiança entre as partes devido ao fato de o Acordo de Copenhague ter sido fruto de uma negociação de alto nível com participação limitada, protegendo interesses limitados. Esta falta de confiança fez com que as conversas pós-Copenhague não atingissem resultados.

O mercado voluntário por sua vez não sofre dessas incertezas, pois suas regras estão bem definidas e independem dos resultados das negociações nas Nações Unidas. Em 2009, os volumes negociados no mercado global de carbono foi de 82 bilhões de gigatoneladas, representando um aumento em 68% do volume negociado em 2008, ano em que o mercado havia aumentado o volume de negociações em 83% se comparado a 2007. Importante notar que esses aumentos representam um grande feito para o mercado de carbono pois várias commodities mundiais, no mesmo período, sofreram drásticas reduções em volumes negociados. Apesar do impressionante aumento no volume, os valores negociados em 2009, 2008 e 2007 são respectivamente US$ 136, US$ 133 e US$ 40 bilhões. A redução nos preços dos créditos voluntários não siginifica uma queda no interesse por tais títulos.

No Brasil, a criação de um mercado voluntário vem sendo planejada pela BM&FBovespa desde 2005. Houve duas tentativas frustrada de leilão em 2007 e 2008 que ofereciam créditos da Prefeitura de São Paulo em relação a projetos de aterros sanitários sob os auspícios do Protocolo de Kyoto. Em 08 de Abril de 2010, a BM&FBovespa realizou um leilão, desta vez de créditos voluntários (não regulamentados por Kyoto) de 180 mil unidades. Tais créditos se originaram de nove projetos de biomassa gerenciados pela Carbon Social Serviços Ambientais em cerâmicas brasileiras espalhados por seis estados. Tais reduções foram verificadas por entidades credenciadas com preço entre R$ 10,00 e R$ 12,00 por unidade. O leilão terminou sem arrematações. Essa tentativa de estabelecer no Brasil um mercado voluntário de carbono pode parecer evidências de fracasso. Mas seria uma conclusão a que apressados chegariam.

Os mais atentos sabem que tais tentativas representam um sucesso de empreendedorismo, consolidando o Brasil como um player no mercado global e fomentando o comércio de carbono dentro de um ambiente organizado. Também fornece aos geradores de créditos a opção de os venderem dentro do país com segurança, transparência e preços interessantes. Essas conclusões são bastante factíveis se compararmos o mercado de carbono com o Novo Mercado, também voluntário. O Novo Mercado demorou três anos para consubstanciar sua importância em aumentar e diversificar os investidores na Bolsa. Agora, os investidores exigem o selo da governança corporativa com regras transparentes, câmara de arbitragem para resolução de conflitos e maiores garantias para os acionistas minoritários. Em 2009, todas as ofertas públicas iniciais realizadas escolheram o Novo Mercado. Assim como o Novo Mercado demorou para decolar, acredito que as negociações de carbono na Bolsa seguirão o mesmo caminho até chegar o dia em que investidores darão preferência para empresas que possuam metas voluntárias de reduções, fomentando o volume de negociações de tais créditos.

Originalmente publicado no Valor Econômico em 3 de maio de 2010.

Postado em 29/04/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Eco

Corte de 30% nas emissões de CO2 custaria à UE mais 33 bi de euros

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Bloco já se comprometeu com redução de 20%, mas quer aumentar meta.
Valor equivale a 0,2% do Produto Interno Bruto da União Europeia.

Agência Estado

A meta de cortar em 30% as emissões de gás carbônico até 2020, superior à de cortar 20% já fechada, é factível e custará à União Europeia (UE) mais 33 bilhões de euros até 2020. O valor é equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE, informa o rascunho de um relatório elaborado pela Comissão Europeia. “Uma meta de 30% é tecnicamente exequível e economicamente factível”, diz a comissão no relatório. O documento afirma que a crise econômica global tornou a meta de cortar em 20% as emissões cerca de 30% mais barata que o estimado dois anos atrás.

A UE concordou em dezembro de 2008 em cortar suas emissões de gases causadores de efeito estufa em 20% até 2020, usando como base de comparação os níveis de 1990. Os membros da UE já informaram que estão prontos para elevar esse corte para 30%, caso outros países se comprometam com esforços compatíveis. O rascunho é um estudo pedido pelos líderes da UE à Comissão Europeia sobre os cortes e os impactos do aumento dessa meta. O texto final deve ser divulgado ao público no fim de maio.

Um aumento de 30% no corte de CO2 manteria o bloco de 27 países em linha com uma meta global, para se impedir que as temperaturas aumentem mais de 2 graus Celsius até 2100 – um nível considerado crítico – a fim de evitar problemas dramáticos para o meio ambiente, lembra o texto.

O setor da indústria de eletricidade ainda tem o maior potencial para cortar as emissões de gás carbônicos entre os setores incluídos no mercado da UE como aptos para receber compensações a fim de emitir menos dióxido de carbono, por meio do chamado sistema de créditos de carbono, diz a comissão no documento.

Os países do Leste Europeu e do centro da Europa – sobretudo os membros mais novos da UE, que antes faziam parte do bloco comunista – continuam a mostrar os maiores potenciais para cortes de emissões.

Governo
O documento também nota que o auxílio dos governos pode ser uma possibilidade para ajudar as indústrias que emitem muito carbono a se adaptar para uma economia mais verde, reduzindo os riscos dessas companhias de ficar em desvantagem diante de outros países com metas ambientais menos rígidas.

Alguns membros da UE, liderados pela França, temem que, sem um acordo internacional comprometendo outras economias a lutar contra o aquecimento global, algumas indústrias europeias, como as de papel, aço, cimento e alumínio, que emitem grandes quantidades de gás carbônico, percam espaço no mercado ou tenham que mudar suas operações para fora da UE.

O acordo vago e sem metas com força de lei fechado no ano passado, na conferência em Copenhague, “reduz o risco” disso ocorrer, avalia o relatório. O acordo “é um passo na direção certa, pois grandes países em desenvolvimento estão pela primeira vez comprometidos a realizar ações para reduzir emissões”.

A comissão acrescenta que, por causa da crise econômica, as companhias que gastam muita energia estão com permissões para emitir gás carbônico que podem ser comercializadas, no âmbito dos créditos de carbono. Esses créditos foram obtidos sem custo, como fruto da redução na produção durante a crise. Essa diferença pode atender às necessidades dessas empresas por pelo menos outros cinco ou seis anos, reduzindo sua exposição à competição internacional, calcula o texto.

Por fim, o relatório afirma que um mecanismo que inclua bens importados no mercado de créditos de carbono para neutralizar a vantagem de preço deles – algo que seria equivalente a uma tarifa de exportação, fortemente apoiada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy – seria algo bastante complexo e, portanto, poderia ser considerado para apenas um ou dois setores industriais. As informações são da Dow Jones.

Matéria publicada originalmente no portal G1, dia 29 de abril de 2010.