Postado em 16/07/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Eco

Vice de Marina Silva não cometeu crime ambiental, diz Ibama

3 Comentários


Guilherme Leal era suspeito de cometer irregularidades na Bahia.
Denúncia foi protocolada no escritório do Ibama de Ilhéus, no começo de julho.

Do G1, em Brasília

O candidato a vice-presidente pelo PV, Guilherme Leal, não cometeu crime ambiental, segundo afirma o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Em nota divulgada nesta sexta-feira (16), o presidente da entidade, Abelardo Bayma, afirma que o empresário não cometeu irregularidades no empreendimento residencial no Pontal da Barra do Tijuípe, na Bahia. O empreendimento ainda está em construção.

Leal, que é candidato a vice ao lado de Marina Silva (PV), havia sido denunciado ao Ibama por supostas irregularidades de maneira formal, por meio de denúncia protocolada no escritório da autarquia em Ilhéus, e por meio do sistema de ouvidoria Linha Verde, instalado em Brasília. As denúncias foram feitas no dia 1º de julho. Marina já havia defendido o candidato a vice. Em nota, divulgada na noite desta sexta, Leal afirmou:

“Sempre estive sereno e confiante que o Ibama cumpriria o seu papel com isenção”.

De acordo com o presidente da entidade, fiscais do Ibama realizaram duas vistorias na propriedade de Leal e notificaram o empresário a apresentar a documentação sobre a situação do imóvel. Segundo o Ibama, a empresa Modusvivendi Participações Ltda entregou certidão da prefeitura de Uruçuca, atestando que o empreendimento está em conformidade com a legislação. Também foi entregue um documento declarando dispensa de licenciamento para o empreendimento.

A decisão do Ibama foi feita com base na documentação entregue. Segundo o presidente da autarquia, por se tratar de um empreendimento feito dentro de uma unidade de conservação estadual, e em atendimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnana), o monitoramento e fiscalização do empreendimento deverão ser feitos pelo órgão estadual.

Postado em 12/07/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Eco

As florestas e o clima, por Ricardo Young

8 Comentários


Honrado com o convite para assinar esta coluna semanal, começo minha participação com um tema polêmico, que preocupa todos os envolvidos com a causa ambiental. Pouco mais de seis meses atrás, em Copenhague, o mundo se reuniu para debater a construção de política global de combate às mudanças climáticas.

O Brasil se adiantou e chegou à COP 15 com uma das mais avançadas metas entre todos os participantes, a redução de emissões de CO2 entre 36,1% a 38,9% das emissões projetadas até 2020.

Estas metas se refletiram na promulgação da Lei de Mudanças Climáticas, no final de 2009, que, mesmo precisando de regulamentações, mostrou o reconhecimento do Estado de que há um problema, e seu compromisso em agir.

Agora, de forma açodada, um grupo de parlamentares em fim de mandato decide propor desastrosa reforma no Código Florestal. As propostas apresentadas pelo deputado Aldo Rebelo estão afinadas com o que há de mais atrasado na gestão do território rural e na manutenção de serviços ambientais fundamentais.

Além disso, vai contra a capacidade do país de cumprir seus compromissos internacionais em relação às mudanças climáticas e à própria lei sancionada pelo presidente Lula. A proposta da Comissão Especial da Câmara praticamente revoga a legislação brasileira de combate às mudanças climáticas.

Eliminação de áreas de proteção permanente, redução de matas ciliares que preservam cursos d’água e nascentes e anistia a desmatadores contumazes vão comprometer ainda mais a capacidade do país em cumprir suas metas de redução de emissões.

E devemos ter em conta que o Brasil está entre os cinco maiores emissores de CO2 do mundo, um pouco mais que 50% desses gases têm origem no desmatamento e em atividades relacionadas ao uso do solo.

Por sorte, a proposta sobre o Código Florestal não deverá ir a plenário na Câmara neste ano. Vai pousar nas mesas dos futuros congressistas, que poderão retomar os debates e aprimorar a construção de uma lei que permita ao Brasil exercer sua legítima liderança global em segurança ambiental, além de estabelecer regras claras para as fundamentais atividades do agronegócio e da agricultura familiar, que garantem alimentos, riquezas e bioenergias para o Brasil.

Este é um dos muitos desafios que Câmara e Senado deverão enfrentar. Paira, ainda, sobre as cabeças e corações dos futuros legisladores a missão de fazer a reforma política, que tem na Lei da Ficha Limpa o elemento norteador, e regulamentar vários artigos da Lei de Mudanças Climáticas para estabelecer como o Brasil vai cumprir suas metas de emissões e levar o país a um futuro de desenvolvimento econômico e social justo.

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo no dia 12 de julho de 2010.

Postado em 06/07/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Eco

Marina se dispõe a reformar Previdência

3 Comentários


Por Raquel Ulhôa, de Brasília

As diretrizes para o programa de governo da candidata do PV a presidente da República, senadora Marina Silva (PT-AC), têm como objetivo principal a transição para uma economia sustentável. Para isso, defende gestão estratégica dos recursos naturais não renováveis e um programa de pagamento pelos serviços ambientais, como conservação de água, biodiversidade e florestas.

Marina quer para o país um agronegócio sustentável, que combine aumento de produção e conservação e restauração dos recursos naturais, incluindo desmatamento zero em todos os biomas e redução do uso de agroquímicos e transição para o modelo da agroecologia.
                                       
O programa de Marina prevê muito mais do que medidas ambientais. Compromete-se em manter o tripé metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante, com “intervenções pontuais” no regime de câmbio flutuante, para atenuar os excessos de volatilidade na taxa cambial. Pretende conter o crescimento dos gastos públicos correntes à metade do crescimento do PIB.

Marina propõe um “jeito novo de fazer política”, com controle social da gestão pública, transparência, “intolerância” com a corrupção e profissionalização na administração pública, reduzindo “drasticamente” o número de cargos comissionados na administração pública federal.

A reforma tributária está entre suas metas, visando a simplificação, a transparência e a redução da carga tributária. Outra reforma prometida por Marina é a da previdência, com a separação dos benefícios previdenciários da seguridade social.

Entre as diretrizes de Marina estão a criação do Sistema Nacional de Educação, para fazer maior articulação entre União, Estados e municípios e a ampliação dos valores per capita anual investidos por aluno em educação, além do reforço a cada um dos níveis de escolaridade.

Na infraestrutura para a economia sustentável, defendida pela candidata, ela prevê diversificação dos projetos de geração, aproveitando as fontes de energia renovável. Defende, inclusive, as alternativas de geração de energia a partir do tratamento do esgoto.

Marina defende as políticas sociais adotadas atualmente, que, segundo ela, superaram os métodos assistencialistas, mas pretende adotar a “terceira geração de programas sociais”. Prevê integração dos programas num cadastro único e o estímulo para que os beneficiários tenham oportunidade de superar a situação. Ela pretende criar uma Rede de Agentes de Desenvolvimento Familiar para levar os programas sociais às famílias mais pobres.

Entre muitas outras diretrizes, a candidata pretende garantir financiamento estável para o SUS e universalizar o acesso ao serviço, implantar uma nova estrutura institucional da segurança pública, modernizar as Forças Armadas e dar a elas a missão de proteção do ambiente.

Na política externa, Marina defende que ela não seja dirigida a “conveniências imediatas”. Propõe que o Brasil lidere o esforço internacional para implementação das convenções resultantes da Rio-92 -conferência de chefes de Estado realizada no Rio de Janeiro para discutir o desenvolvimento sustentável e como de reverter o processo de degradação ambiental.

Marina acha que o Brasil deve atuar na eliminação das barreiras e distorções que prejudicam o livre comércio, mas não pode apoiar quando é baseado em métodos produtivos que promovam a degradação ambiental ou o trabalho decente.

O documento da candidata do PV termina com compromissos para o processo de campanha, como transparência na arrecadação, neutralização das emissões de carbono na campanha, não praticar ataques pessoais e comparecer a todos os debates possíveis.

Publicado originalmente no jornal Valor Econômico dia 6 de julho de 2010.