Postado em 14/03/2012 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Paralela à Rio+20, Cúpula dos Povos vai debater causas estruturais da crise ambiental

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Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil.

Causas estruturais da crise ambiental, falsas soluções, a economia verde e as propostas vindas dos povos do mundo inteiro constituem os principais debates da Cúpula dos Povos, que ocorrerá no Rio de Janeiro, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

Atividades autogestionadas, isto é, livres, marcarão os dias 15 e 16 de junho, precedendo a marcha que abrirá oficialmente, no dia 17, os trabalhos da Cúpula dos Povos.

Nos dias 18 e 19 de manhã, continuarão sendo realizadas atividades autogestionadas. À tarde, o Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20 vai realizar a Assembleia Permanente dos Povos, onde serão discutidos temas como as causas estruturais da crise ambiental e ecológica e as soluções indicadas pelas Nações Unidas (ONU) para resolver o problema, entre elas a economia verde.

O diretor da Associação Brasileira das Organizações Não Governamentais (Abong), Ivo Lesbaupin, disse que tanto a economia verde quanto os créditos de carbono são soluções que “não mexem no fundamentalâ€. Ou seja, não alteram o modelo de produção e de consumo atual. Para ele, o programa da ONU sobre economia verde inclui uma série de propostas interessantes, mas que não mexem no essencial. A Abong faz parte do grupo de articulação do Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20.

Um exemplo são os combustíveis fósseis na matriz energética. Outro é a questão da mudança do modelo produtivo e consumista, “a causa principal da destruição da naturezaâ€. De acordo com Lesbaupin, a ONU considera que existe um desperdício de certos serviços ambientais que a natureza presta pelo fato de eles não terem preço. A Abong discorda e diz que esse é um caminho para a mercantilização e consequente privatização desses serviços.

As ONGs prometem apresentar na assembleia projetos para resolver os problemas na área ecológica. “A ideia é fazer a proposta de uma nova forma de organização econômica, de produção, e continuar vivendo em uma relação harmoniosa com os bens naturaisâ€.

Serão apresentadas experiências práticas de todo o mundo. Entre elas, o diretor da Abong destacou a economia solidária. Outras são a agroecologia e a produção de alimentos orgânicos, que vêm sendo feitas no Brasil e em outros países sem o uso de agrotóxicos, que mostram que “é produtiva essa atividade, atende às necessidades das populações do entorno e garante alimentos saudáveisâ€.

A Assembleia Permanente dos Povos voltará a ocorrer no dia 21 de junho, quando será definida uma programação de lutas e atividades que deverão ter continuidade após a Cúpula dos Povos.

O dia 20 será o de Mobilização Global. Nessa data, estão previstas manifestações no Rio de Janeiro e em várias cidades do mundo em torno de projetos que ataquem as causas estruturais da crise, combatam a mercantilização da natureza e defendam os bens comuns.

Lesbaupin insistiu que os povos querem uma mudança radical nos modelos de produção e de consumo. “Não se pode mais produzir ilimitadamente, que é a perspectiva atual, porque alguns desses bens não são renováveis e são finitos, como o petróleoâ€. Ele lembrou também o caso da água doce, cuja utilização vem sendo feita em quantidade excessiva, impedindo a capacidade de regeneração desse bem. O diretor disse que o Brasil, que detém 13,7% da água doce do mundo, parece não se preocupar muito com o problema.

Outra questão é que 70% da água doce estão sendo usados para a irrigação. Segundo o diretor da Abong, é preciso rever o modelo e escolher técnicas de irrigação relacionadas às necessidades das populações, para poupar esse bem.

A Cúpula dos Povos será encerrada um dia após a conferência oficial Rio+20, que se estenderá de 20 a 22 de junho. No dia 23, a cúpula pretende apresentar uma declaração final, com propostas consensuais no que se refere às soluções, “a partir de uma construção coletiva que está sendo feitaâ€.

Edição: Graça Adjuto

Postado em 11/03/2012 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Greenwar

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Diferentemente daquela visão romântica dos anos 70 durante os quais o movimento ambientalista normalmente era associado ao “paz e amorâ€, muita maconha e “fiscais da naturezaâ€, sem muito o que fazer, o que vem por aí terá muito pouco a ver com o famoso e lúdico Greenpeace. A Greewar, literalmente, vai pipocar nos próximos anos, não só pela biodiversidade de valor incalculável mas também por recursos bem mais básicos, exemplo a água.

Alguma novidade? Nenhuma, pelo menos se você tiver dois neurônios e estiver usando apenas um deles. Mas o que mais chama a atenção é que diferentemente das profecias do fim do mundo, o mundo já está definhando, e muito rapidamente, enquanto economias do Primeiro Mundo afundam na incompetência administrativa da classe política de lá, outra merda, muito parecida com a daqui. Não tem jeito, o que manda é o bem-estar, e esse papo de ideologia é bonitinho quando você está com a barriga cheia no “bem-bomâ€, mas o que manda mesmo no fim das contas, como dizia meu bom pai italiano, é a barriga cheia e, além disso, poder consumir à vontade. Qualquer governo de qualquer linha ideológica, se não gerar bem-estar para a população, pode esperar que um dia vai levar uma rasteira, seja por bem, democraticamente, ou por mal, via confronto até a guerra civil.

Se estiver todo mundo de barriga cheia, pode ter certeza de que as “auturidadis†podem cometer os maiores desatinos, tortura, superfaturamento, roubalheira, desaparecimento, genocídio, que, dependendo das circunstâncias, tudo deverá ser bem justificado por quem executa as arbitrariedades diante de uma plateia satisfeita, e portanto muito bem comportada. A natureza humana é assim. Neste contexto do famoso “pouca farinha, meu pirão primeiro†enquanto “governos†falam em bilhões, trilhões de dólares, ou euros para socorrer as economias moribundas, o futuro do planeta parece coisa para quem não tem o que fazer.

Do jeito que as negociações do clima andam, para trás e para os lados, a previsão até pouco tempo pessimista vai se apresentando como a mais realista, em que ano após ano batemos os recordes de emissão de gases associados com o aquecimento global e a acidificação dos oceanos. Pois então, preparem-se para o que irá acontecer, no meu entender de forma otimista, até 2100, com o incremento de três a quatro graus centígrados acima do nível pré-industrial:

— Liberação de CO2 e do metano congelados no fundo dos oceanos e no permafrost (solos congelados situados nas regiões polares);

— 50% de risco de colapso da circulação de correntes do Oceano Atlântico (regulador do clima);

— Aumento de 5% a 8% das áreas áridas e semiáridas da Ãfrica;

Neste contexto, espera-se a elevação do nível do mar em um metro até 2100. Só que tem mais.

— Risco de desintegração da Plataforma de Gelo Oeste da Antártica, o que significaria mais três metros de elevação dos oceanos com consequências dramáticas;

— Risco de 60% de degelo da calota da Groenlândia, o que elevaria o mar em mais cinco metros;

— Declínio de todas as culturas da Ãfrica;

— Redução das geleiras continentais, com impactos na Ãsia e na América do Sul;

— Corais de recifes começam a se dissolver devido ao aumento da acidificação e da temperatura dos oceanos;

— Risco de extinção global de 40% a 70%;

— Morte das florestas boreais e morte em massa das árvores da Amazônia.

Tá bom ou quer mais? Realmente, quem ainda estiver por aqui vai ficar com inveja dos mortos, como já diziam aquelas passagens bíblicas.

Mas convenhamos: isso está muito longe de nosso dia a dia, a não ser quando desabam os morros, a cidade fica debaixo dágua e tudo logo, logo, volta à “anormalidade†de sempre, e daí lá vamos nós para mais desastres.

Tem mais. Se os países emergentes (Brasil, China e Ãndia) almejarem ter a tão desejada american life way, dentro da ótica dominante em que a economia de uma forma geral é baseada firmemente no consumo e no crescimento sem limites dentro de um planeta de recursos limitados, infelizmente, a mãe Terra apenas não vai dar conta da voracidade suicida de seu filho pródigo. Como por enquanto a tecnologia disponível não nos permite nem ao menos fixar-nos na Lua, é bom pensarmos qual Kraken ambiental estamos querendo acordar nos próximos vinte e cinco anos.

Já ocorreram extinções há 240 e 65 milhões de anos atrás, e mais uma ou menos uma para a história da vida neste planeta não irá fazer muita diferença. Contudo, tenho profunda pena das crianças e dos demais organismos não humanos que irão pagar a conta de tanta miopia e ganância patológica.

Mas como sempre digo, vai ver que estou exagerando, e tudo o que eu vejo e sinto são apenas delírios de um biólogo que trabalha no UTI do meio ambiente da região metropolitana do Rio de Janeiro, e no final tudo vai dar certo. Basta saber, porém, para quem é que vai dar certo mesmo.

* Fonte: Jornal do Brasil -  Mario Moscatelli é biólogo e ecologista. – mangue@domain.com.br

Postado em 08/03/2012 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Mulheres que defendem o meio ambiente

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Nesta quinta-feira, 8 de março, comemoramos a história de lutas das mulheres pela igualdade de direitos e uma vida digna. Mas queremos aproveitar a data para lembrar que muitas mulheres também estão presentes em uma outra luta: a defesa do meio ambiente.

Selecionamos algumas mulheres que fazem a diferença quando o assunto é meio ambiente. São mulheres que trabalham com projetos incríveis, como Monica Picavêa (na foto acima), que levou sustentabilidade a favelas, mulheres que compartilharam um Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho no IPCC, como Thelma Krug e Suzana Kahn Ribeiro, entre outras.

Claro que, quando fazemos uma lista, cometemos muitas injustiças – quantas mulheres não estão representadas aqui! Se você acha que faltou homenagear alguém, deixe seu comentário abaixo.

Maria Tereza Jorge Pádua

A engenheira agrônoma Maria Tereza Pádua é um dos nomes mais importantes quando se fala de meio ambiente no Brasil. Ela fundou a ONG Funatura, uma das primeiras ONGs ambientais do país, ainda no período de transição da ditadura para a democracia no Brasil. Atuou no IBDF, o instituto que cuidava da política ambiental antes da criação do Ministério do Meio Ambiente, e foi presidente do Ibama. Sob sua gestão, o Brasil criou um grande número de Unidades de Conservação. Atualmente, faz parte do Conselho da Fundação Boticário de Proteção à Natureza e da comissão mundial de Parques Nacionais da UICN. E, além de tudo isso, Maria Tereza ainda é uma flor: a orquídea Laelia purpurata Maria Tereza foi batizada em sua homenagem.

“Em geral, nos países mais desenvolvidos, onde se tem mais educação, cumprem-se mais as normas ambientaisâ€
Maria Tereza Pádua, em declaração à reportagem de ÉPOCA.

Marina Silva

De origem humilde, Marina só se alfabetizou aos 16 anos. Começou sua trajetória de defesa do meio ambiente ainda no Acre, ao lado de Chico Mendes, lutando pela defesa do desenvolvimento sustentável quando poucos sabiam o que isso significava. Em sua carreira política, foi vereadora, deputada federal, senadora e ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, e colocou o tema ambiental em discussão nacional quando concorreu a presidência da República, em 2010. Marina também é reconhecida no exterior – em 2008, foi considerada pela jornal britâncio The Guardian como uma das 50 pessoas que poderiam salvar o mundo.

Eliane Brum: Por que vale a pena ouvir Marina Silva

Suzana Kahn Ribeiro

Até 2007, o Brasil tinha uma atuação dúbia nas instâncias internacionais sobre mudanças climáticas, e se recusava a ter meta de redução de emissões. Isso mudou, e hoje o país tem papel de destaque nas negociações por um acordo climático. A grande responsável por colocar o Brasil nessa trilha é Suzana Kahn Ribeiro. Ela trabalhou à frente da Secretaria de Mudanças Climáticas, no ministério do Meio Ambiente, e conseguiu negociar com outros setores do governo a criação de um plano de metas voluntárias de redução das emissões brasileiras até 2020. Em 2010, Suzana foi eleita por ÉPOCA como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil, mas o principal prêmio veio em 2007: ela é uma das brasileiras que integra o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão que ganhou o Nobel da Paz.

“Se o Brasil, hoje, é um dos líderes mundiais nas questões climáticas, essa posição tem muito a ver com o trabalho de Suzanaâ€
Carlos Nobre, em declaração a ÉPOCA.

Monica Picavêa

A paranaense Monica Picavêa foi buscar melhorar o meio ambiente em um lugar que poucas pessoas se preocupam: não só no meio urbano, mas em um dos bairros mais pobres de São Paulo. Mônica implementou o projeto Transition Towns (ou Cidades em Transição), criado pelo inglês Rob Hopkins, na Brasilândia. O Transitions Towns está presente em mais de 30 países, mais em nenhum foi implementado em um bairro pobre. O objetivo do projeto é transformar ambientes urbanos em cidades sustentáveis. Os resultados são positivos: os terrenos baldios de antes agora abrigam hortas comunitárias, as nascentes de rios estão sendo revitalizadas, e as mulheres se organizam em cooperativas de costura e confeitaria para gerar renda.

Saiba mais: A ecologia chegou à favela

Thelma Krug

Outra mulher brasileira que faz parte do IPCC, e que também foi premiada pelo Nobel da Paz em 2007, Thelma Krug merece destaque pelo seu trabalho sobre mudanças climáticas. Thelma trabalhou no Inpe, instituto que é referência em monitoramento do desmatamento da Amazônia por satélite e, no Ministério do Meio Ambiente, foi secretaria de Mudança do Clima e Qualidade Ambiental, onde criou as diretrizes brasileiras que iriam resultar no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

“Thelma Krug elevou a um novo patamar sua participação nos debates internacional e nacional sobre mudança do climaâ€
Luiz Gylvan Meira Filho, em declaração a ÉPOCA.

Márcia Hirota

A Mata Atlântica é um dos biomas mais destruídos do Brasil, e hoje só resta pouco mais de 10% desse bioma. Mas se essa pequena parcela de floresta ainda existe, isso se deve ao trabalho da Fundação SOS Mata Atlântica, e sua coordenadora, Marcia Hirota. Marcia é diretora da SOS Mata Atlântica, uma das mais respeitadas ONGs na área. Seu trabalho nos alerta para o perigo de se perder o pouco que resta desse bioma. Além disso, ela também coordena o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, em parceria com o Inpe. Um trabalho fundamental, que mostra o quanto o bioma já foi desmatado, mapeia as áreas de florestas remanescentes, e é base para qualquer política de preservação no bioma.

Saiba mais: É possível evitar?

Esquecemos alguém?

Sim, sabemos que faltam muitos nomes importantes, de mulheres como Bia Hetzel, fotógrafa e ambientalista que transformou suas fotos de baleias e golfinhos em livros infantis; ou Vânia Moreira, com um trabalho inovador de preservação nas áreas de faxinais, no Paraná; além de Malu Nunes, da Fundação Boticário, Brenda Brito, do Imazon, e tantas outras! Essa lista nem de longe esgota todos os nomes de mulheres que defendem o meio ambiente. Se você acha que faltou homenagear alguém nessa lista, deixe seu comentário abaixo.

PS: Ainda dá tempo de lembrar mais nomes de mulheres importantes na luta pelo meio ambiente? Maria Ciça Wey de Brito, do WWF-Brasil, Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental, Monica Fonseca, da Conservação Internacional, Suzana Padua, do Instituto IPÊ, Leandra Gonçalves, do Greenpeace, Miriam Prochnow da Apremavi, Dorinha Melo, da Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste, e tantas mais!

Fonte: Bruno Calixto – ÉPOCA