Fonte: © WWF-Brasil / por Aldem Bourscheit
Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável reforçam pedido por debate mais longo e democrático e alertam para uma manobra política que pode forçar a aprovação do texto votado no Senado
A uma semana da possível segunda votação do projeto de reforma do Código Florestal na Câmara, prevista para o dia 7, as mais de 160 entidades ligadas ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável reforçam o pedido por um debate mais longo e democrático, e também alertam para uma manobra política que pode levar à aprovação do texto votado no Senado como alternativa menos prejudicial às florestas e à produção no campo.
De acordo com a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito (foto), até o momento os parlamentares jogaram de lado a capacidade científica brasileira, ignorando estudos e pesquisas sérios a eles apresentados em vários momentos. “A boa Ciência até agora não entrou efetivamente nos textos da Câmara e do Senado”, disse hoje (28), na abertura do seminário Código Florestal – o que diz a ciência e os nossos legisladores ainda precisam saber, na Câmara.
Por isso ela defende que os textos passem por tramitações mais aprofundadas e com tempo adequado. “Os textos (para o Código Florestal) da Câmara e do Senado não são reformáveis, são ruins para o país, não respeitam a Ciência ou a técnica”, ressaltou.
A idéia foi reforçada pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), raro partido a se posicionar em bloco contra a reforma em curso do Código Florestal. Segundo ele, a legislação que permitiu ao Brasil se tornar uma potência agrícola e ambiental está sendo decepada, em “uma das regiões mais privilegiadas em termos ambientais do planeta”.
Segundo ele, a balança de forças no parlamento é desfavorável para as florestas, pois o cenário político ainda é dominado por interesses economicistas que observam recursos naturais e populações tradicionais, por exemplo, como meros bens a serem explorados indefinidamente. “Vivenciamos uma realidade colonial com doses de violência mortal contra as pessoas que resistem contra a destruição da natureza e ações de conservação que são mera perfumaria”, comentou.
Representando o Fórum de Ex-ministros de Meio Ambiente, a ex-senadora Marina Silva alertou que deputados se mobilizam para um jogo de cena com a apresentação de inúmeras emendas ao projeto de reforma do Código Florestal e, assim, forçar a aprovação do texto vindo do Senado. “Está se configurando uma suposta briga com emendas para tornar projeto ainda pior, criando um cenário de sanção para o que foi aprovado no Senado, que também foi comemorado pela bancada ruralista”, alertou.
Conforme a ex-ministra, o projeto do Senado é tão ruim quanto o da Câmara, apenas tem “ajustes pontuais” insuficientes para as necessidades do país. “Precisamos enfrentar esse projeto para barrar uma onda de retrocessos, com abertura de garimpos em terras indígenas e facilitação da desconstituição de áreas protegidas”, ressaltou.
Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF-Brasil, lembrou que, caso o péssimo projeto em tramitação no Congresso seja realmente aprovado, a presidente Dilma Roussef precisará de respaldo político e técnico para cumprir suas promessas de campanha, focadas em evitar retrocessos legislativos, anistia a quem cometeu crimes e ampliação do desmatamento em todo o país. “Mesmo que a questão socioambiental esteja nos discursos de todos, ainda se vê pouco na prática. Precisamos de muita pressão para evitar o pior. O parlamento precisa ouvir a sociedade brasileira”, reforçou.
Também participaram do seminário de hoje o padre Ari Antônio dos Reis, secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, os deputados Marcio Macedo (PT-SE) e Arnaldo Jordy (PPS-PA), João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, e Paulo Adário, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace.
05/03/2012
Parabéns pelas palavras no seminário, Marina! O Brasil está com você!!!
02/03/2012
Não se trata de detalhes, é a defesa total.
Brasil e Mundo Urgente !