Postado em 05/08/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Artigos

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6 Comentários


O Congresso reinicia suas atividades num clima pesado. Ameaças veladas, suspeita de troca de favores, retirada de assinaturas de CPI.

Para estancar mais um princípio de crise, cinco ministros vão prestar esclarecimentos diversos de suas áreas a senadores e deputados.

Antes fosse para restabelecer alguma normalidade institucional, na qual indícios de desvio de recursos públicos devem ser legitimamente investigados pelo Congresso e não, de pronto, carimbados como intriga da oposição.

Explicações são devidas à sociedade, que tem o direito de conhecer os argumentos do governo e da oposição, e não só assistir a um cabo de guerra que esconde o essencial. Disputas políticas são saudáveis quando têm por objeto diferentes projetos e ideias, e não quando motivadas só por espaços de poder.

Por que um parlamentar desiste abruptamente de sua prerrogativa de investigar? Se não há uma explicação convincente, cresce ainda mais o descrédito do sistema político.

É nesse clima que serão retomadas as discussões sobre as mudanças no Código Florestal. Na Câmara, vimos o evidente descompasso entre o interesse da sociedade e a posição de seus representantes.

Enquanto pesquisa Datafolha diz que 79% dos brasileiros são contra a anistia de multas a quem desmatou ilegalmente, quase 80% dos deputados aprovaram o projeto que concede tal anistia e incentiva novos desmatamentos. A simples possibilidade acenada pelo projeto já resultou em aumento de 28% no desmatamento na Amazônia, segundo os dados preliminares do Inpe, que sinalizam uma tendência.

Agora é a vez dos senadores. Eles têm a oportunidade de se reconectar com as expectativas sociais e afirmar bases para um desenvolvimento que valoriza nossas florestas e biodiversidade, nossa agricultura, nossas cidades e a qualidade de vida dos brasileiros.

Está em jogo a preservação das matas que protegem os mananciais de água, vitais para nós. Está em jogo a proteção de encostas contra desmoronamentos e a manutenção das reservas de florestas que garantem os serviços que a natureza nos presta e aos quais pouco damos atenção.

Em junho, foi lançado em Brasília o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável. A importância desse comitê é que reúne instituições de grande representatividade dos mais diferentes setores.

Hoje está sendo lançado o Comitê São Paulo, que reúne, além dessas entidades, muitas outras com atuação em SP e a campanha www.florestafazadiferenca.org.br.

É a forma que a sociedade tem para sinalizar sua vontade ao Congresso. Que o Senado faça o que é de sua missão e dê a melhor resposta.

* Artigo da ex-senadora Marina Silva publicado originalmente na Folha de S. Paulo em 5 de agosto de 2011.

Comentários

  1. Bom dia! e sou Verde Marina!
    Vamos juntos Marina! Mudar esse País!
    ChÔ corrupção! ChÔ aproveitadores! ChÔ encanadores da Fé do Povo! Apelo a vossa bomdade! que fassamos um novo partido mais que seja diferente! sugiro que nao seja so um partido politico, mais uma instituição filantropica com açoes reais pelo país todo e o critério para entrar no partido seja participar dessas instituições: casa da Marina! idoso, crianças, adolescentes,casa de apoio! etc! So assim podemos ter cidadãos comprometido com o povo! Por que se uma cidadao nao tem uma Hora para quem precisa ele nunca vai servi ao povo!

  2. Marco Malburg
    05/08/2011

    Marina poderia ir mais a fundo nas incongruências de nossos representantes, expor mais, dar sua versão, abrir para o público o que realmente se passa nos bastidores.
    Vai nessa Marina

  3. Uma iniciativa de grande valor, levando em conta a grandeza dos ideiais que estão sendo desprezados pelos que no Congresso querem mudanças ruralistas no Código Florestal: estes ideais estão ligados ao Desenvolvimento Sustentável e à criação do futuro do país, da vida.

  4. “Representantes do Povo”? De que povo? Com certeza não o brasileiro.Nós queremos preservar nossas matas e nossos rios,pois queremos preservar a vida.Onde está o povo indígena que era o habitante natural de nossas terras? Vamos deixar que sejam nossos mestres, vamos ouvi-los e lutarmos juntos
    .Obrigada Marina por existir!

  5. Gangs de corruptos tomaram o poder e fazem o que querem com o dinheiro público e com o Meio Ambiente, com apoio do STF… Ao povo, RESTOS E SOBEJOS! Precisamos de uma Revolução para devolver o poder ao seu legítimo dono: o povo brasileiro!!

  6. Lívia
    05/08/2011

    Muito importante Marina ter destacado essa divergência incoerente entre a sociedade e seus representantes.

    Infelizmente, isso não acontece apenas em relação às mudanças no Código Florestal e o mais triste da história é que muita gente nem se dá conta desse descompasso.

    PS: Adorei conhecer esse espaço. Já add aos meus favoritos =)

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Postado em 05/08/2011