Postado em 10/05/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Proposta encaminhada pelo movimento socioambiental ao Ministro Antonio Palocci sobre o Código Florestal

8 Comentários


Sábado a noite foi encaminhado à assessoria do Ministro um conjunto de propostas da sociedade civil, com vistas a corrigir vários problemas técnicos e retrocessos existentes no projeto de Código Florestal do deputado Aldo Rebelo, bem como dispositivos para coibir novos desmatamentos ilegais no País.

Em audiência com o Ministro Palocci em 2 de maio, um grupo de organizações do movimento socioambiental brasileiro apresentou suas preocupações a respeito dos retrocessos contidos no relatório do Deputado Aldo Rebelo, que altera profundamente o Código Florestal Brasileiro. Solicitaram também que o governo interviesse para o adiamento da votação e se comprometeram a fornecer ao governo um conjunto de propostas, com vistas à adequação do relatório, para que o Código Florestal seja um instrumento efetivo de proteção de nossas florestas, biodiversidade e recursos hídricos. Abaixo segue um resumo dos pontos principais:

1 – Propõe tratamento diferenciado para agricultores familiares permitindo que sob a lógica do interesse social possam manter ocupações em área de reserva legal para desmatamentos consolidados.
2 – Fortalecimento dos instrumentos de governança e de controle de novos desmatamentos ilegais como o embargo das áreas desmatadas ilegalmente, a figura do crime de desmatamento e a corresponsabilidade dos financiadores de produção em áreas desmatadas ilegalmente.
3 – Recomposição obrigatória de 15 dos 30 metros de APP de rio de até 10m de largura limitada apenas à agricultura familiar desde que com ações que comprovem a ausência de riscos socioambientais.
4 – Regularização da produção agrícola com suspensão de aplicação de multas aos agricultores (que não se enquadrem no conceito de agricultura familiar) caso ingressem em até um ano nos programas de regularização ambiental (federal ou estaduais) que deverão ser implementados em até 6 meses da publicação da Lei e assumam o compromisso de recompor ou compensar as reservas legais em áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e recursos hídricos.
5 – Programa de pagamento por serviços ambientais e instrumentos econômicos voltados a pequenos produtores rurais familiares e inserção da recomposição e conservação de APP e reserva legal.
6 – Cômputo das APPs no cálculo da reserva legal para pequena agricultura, não sendo válido para novos desmatamentos.
7 – Utilização de áreas de topo de morro e áreas entre 25 e 45º de declividade já desmatadas em zonas rurais, com espécies arbóreas e sistemas agroflorestais desde que sob manejo adequado, medidas de conservação do solo, medidas que inibam novos desmatamentos e recomposição de reservas legais (sem cômputo da área na RL).
8 – Possibilidade de uso sustentável em áreas de planícies inundáveis conforme regulamento específico a ser editado pelo CONAMA atendendo a especificidades dos Biomas Pantanal e nas áreas inundáveis da Amazônia.
9 – Possibilidade de redução da RL  de 80% para 50% na Amazônia nos casos de municípios com mais de 50% do seu território abrigados por Unidades de conservação e terras indígenas.
10 – Manutenção dos atuais parâmetros das áreas de preservação permanente, com reinserção no rol das APPs dos topos de morro, manguezais, dunas, áreas acima de 1800m e restingas fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues.
11 – Manutenção do atual regime de competência para autorização de desmatamento com ênfase na competência estadual.
12 – Cadastro ambiental rural georreferenciado obrigatório para a regularização de todos os imóveis rurais com cadastramento gratuito para pequena propriedade rural
13 – Incentivos econômicos para os produtores rurais que se não se utilizarem das flexibilizações previstas na Lei.

O Ministro Antonio Palocci se comprometeu a dar um retorno às organizações até a 3ª feira pela manhã antes da negociação com o Deputado Aldo Rebello e demais lideranças no Congresso.

Comentários

  1. GIOVANNI
    14/05/2011

    Meu nome é Giovanni, moro no Pacajá-Pará
    Gostei da proposta!
    Tenho uma pergunta pra saber se estou na ilegalidade:
    Comprei uma posse de 800 hectáres no ano de 2008,desmatei sem licença 200 hectáres,na área desmatada respeitei (sem desmatar) todas as nascentes das águas, e na app, em dois rios com dois a três metros de largura respeitei(sem desmatar) cinquenta metros de largura em toda sua estenção.
    Como vai ficar a minha situação com o novo código?

  2. Gustavo Guimarães
    12/05/2011

    Marina,
    Muito corajosa a postura. Gostaria de saber se existe uma versão em inglês denunciando as manobras dos ruralistas para que encaminhar para amigos ambientalistas e setores da mídia fora do Brasil.
    Obrigado,

  3. Paulo Roberto
    12/05/2011

    Devem ser revista, também, as penalidades aplicadas aos criminosos que estão destruindo o nosso meio ambiente. A legislação atual é um incentivo ao crime ambiental. Deve ser aplicada penas mais rigorosas, para realmente coibir esta prática.

  4. A proposta é a unica viável para que não ocorra um retrocesso na Legislação Ambiental Brasileira, justamente num momento que em todo o Planeta as legislações e ações se voltam para conter o aquecimento global.
    A Floresta é a unica forma real e viável para fixação do carbono e devemos pensar que o Brasil hoje é o quarto maior emissor de gases que causam o efeito estufa, sendo que mais de 70% dessas emissões são provenientes das atividades agropecuárias, justamente por aqueles que querem mudar o código florestal.
    Não podemos admitir esse retrocesso!!!
    Parabéns Marina,pela sua luta em defesa da vida.
    Manoel Eduardo Tavares Ferreira
    presidente da Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil de Ribeirão Preto

  5. Juarecê Lordelo
    11/05/2011

    Penso ser importante pessoas como Marina e outros ambientalistas se movimentarem no sentido de bloquear mais um saque ao país.Vemos apenas lutas por interêsses individuais e de grandes latinfundiários financiadores das campanhas do bloco ruralista.

  6. LUIZ A. ROTTA
    11/05/2011

    cONCORDO PLENAMENTE COM A PROPOSTA, PENA QUE OS RESPONSÁVEIS PELA VOTAÇÃO DO PROJETO NÃO POSSUEM O MÍNIMO DE FORMAÇÃO NEM NA ÁREA AMBIENTAL E MENOS AINDA NA ÁREA DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POLITICAGEM PURA.

  7. Muito bom, ponderado e justo esse pleito. Não fui eleitor da Marina Silva, mas respeito muito essa posição e reivindicação. São factíveis e não provocam caçada às bruxas. O Brasil precisa de paz no campo, com respeito ao direito adquirido, de boa-fé, reiteradamente aceito e capaz de produzir alimentos para a sociedade.

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Postado em 10/05/2011