Postado em 16/05/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Esclarecimentos sobre a doação de madeira feita pelo Ministério do Meio Ambiente à FASE em 2003

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Na sessão extraordinária da Câmara dos Deputados realizada no dia 11 de maio, durante a discussão do projeto de lei que modifica o Código Florestal, o Deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP), relator da proposta, acusou meu marido, Fábio Vaz de Lima, de fraudador de contrabando de madeira.

Nos dias seguintes, essa acusação genérica e leviana foi interpretada pelos meios de comunicação como sendo uma suposta participação de Fábio em uma importante operação realizada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2003, com o objetivo de dar uma destinação a lotes de madeira apreendidos pelo IBAMA em anos anteriores.

Reuní aqui os documentos que esclarecem a forma como foram conduzidas as ações públicas, os meios, as bases técnicas e jurídicas das decisões tomadas pelo governo brasileiro e a participação de cada ator público nessa operação, para demostrar que houve transparência, publicidade, cuidado e lisura nas ações que levaram à doação de madeira à entidade Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e consequentemente, a criação do Fundo Dema.

E, mais do que tudo, afastar de pronto qualquer insinuação caluniosa de participação de meu marido nas ações do Ministério do Meio Ambiente e nas instituições que se relacionam com a esta doação.

Fabio é técnico agrícola e tem, ao longo de sua vida profissional, atuação ativa na sociedade civil e no Poder Público em questões relativas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Atualmente é Secretário de Estado Adjunto de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia, Indústria e Comércio do Governo do Acre. Foi também Secretário Executivo do Grupo de Trabalho Amazônico – GTA, rede que congrega mais de 600 instituições independentes da sociedade civil na Amazônia e que faz um trabalho importante de apoio às comunidades extrativistas da região. Ele trabalhou no GTA de 1996 a 1999, de onde saiu para trabalhar no governo do Acre, na gestão de Jorge Viana.

A FASE, entidade que assinou convênio com o Ministério do Meio Ambiente para receber a doação de mogno apreendido, à época em que fui Ministra, é uma das instituições que integram a rede GTA. Devido a essa relação indireta, meu marido foi envolvido na acusação. No entanto, o GTA não é responsável pelas ações das instituições a ele filiadas e, quando assumi o Ministério do Meio Ambiente, meu marido já estava afastado do GTA havia quatro anos.

Quero registrar que a FASE, fundada em 1961, foi escolhida para receber a doação por atender aos critérios necessários, por ser uma entidade sem fins lucrativos, detentora de “Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social” emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pela seriedade com que desenvolve seu trabalho.
Essas acusações não são novas, surgiram durante minha gestão no Ministério do Meio Ambiente, quando todas as explicações que trago agora para vocês foram encaminhadas aos órgãos de fiscalização do Estado. Elas foram usadas inescrupulosamente durante a campanha presidencial e retornam agora, justamente quando se discute modificações no Código Florestal, que poderão representar um grave retrocesso na legislação ambiental brasileira, na proteção de nossas florestas e no desenvolvimento de uma agricultura competiviva e sustentável.

Quando assumimos o Ministério do Meio Ambiente, no início do primeiro Governo Lula, estávamos dispostos a enfrentar um conjunto grave de problemas relacionados à exploração ilegal do mogno. Por trás das excelentes qualidades dessa espécie, que fazem com que sua madeira alcance alto valor no mercado internacional, se escondia uma “máfia do mogno”, uma rede de corrupção e destruição especializada em roubar a madeira, especialmente das áreas públicas, como terras indígenas e   Unidades de Conservação.

Planos de manejo florestal fraudados apenas para regularizar madeira ilegal levaram o mogno à condição de extinção em várias regiões do Pará, Mato Grosso e Rondônia. Essa situação de descontrole no Brasil e nos poucos países onde ainda era encontrado levou a inclusão do mogno no Anexo II da CITES – Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagem em Perigo de Extinção – em novembro de 2002 (a posição do governo brasileiro foi importante para obter essa vitória no âmbito internacional). A inclusão no Anexo II significa melhor controle do comércio e mais compromisso dos países signatários no controle da exploração ilegal das espécies em perigo de extinção.

Para dar uma resposta exemplar a esse conjunto de problemas, o Presidente da República instituiu, por meio do Decreto nº 4.593, de 13 de fevereiro de 2003 [doc 1], a Comissão Especial do Mogno, composta por representantes do Ministério do Meio Ambiente, do IBAMA e da Embrapa, e suspendeu por 180 dias a exploração da espécie.

O Relatório Final da Comissão [doc 2], foi entregue ao Presidente Lula em solenidade realizada no Palácio do Planalto no dia 05 de junho de 2003, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Nessa data, o Presidente assinou o Decreto nº 4.722 [doc 3], que estabelecia novos e mais rigorosos critérios para a exploração do mogno, resultado do trabalho da Comissão Especial.

O Relatório Final da Comissão Especial do Mogno propunha Normas Técnicas para elaboração de planos de manejo, de planos operacionais anuais, instrumentos de controle compatíveis com o rigor exigido pelo Anexo II do CITES e, finalmente, um conjunto de recomendações para a destinação final de 40,6 mil m3 de mogno em tora e 25,7 mil m3 de mogno serrado que estavam espalhados em dezenas de lotes localizados em áreas remotas da Amazônia e em alguns portos, em situações distintas de conservação física e legal. A situação de cada lote e a sugestão da forma de destinação estão descritos no Relatório Final da Comissão [capítulo em separado– doc 2.1].

Até então, a destinação do mogno apreendido era feita por meio de  leilões. Contudo, esse procedimento mostrava-se ineficiente, pois não contribuía para a moralização do setor. Pelo contrário. Os madeireiros envolvidos em práticas ilegais acabavam vendo nesses leilões uma excelente oportunidade de legalizar a  madeira, apesar dos esforços do governo brasileiro em coibir essas irregularidades. Como o mercado de mogno era dominado por algumas dezenas de empresas, elas acabavam conseguindo adquirir toda a documentação necessária para comercializar o mogno ilegal através dos leilões e até “esquentar” mogno ilegal extraído de outras áreas. O preço, muitas vezes, era avaliado abaixo da realidade.

A madeira apreendida também era alvo de roubos e desvios antes de ter destinação. Na maioria das vezes esses estoques apreendidos ficavam durantes anos expostos no local de apreensão, sem um fim adequado, perdendo sua qualidade e seu valor econômico. Este foi o caso da madeira doada para a FASE. Vários lotes foram apreendidos pelo Ibama entre os meses de julho e novembro de 2001 nos rios Iriri e Xingu, município de Altamira (PA), totalizando mais de 8 mil toras de mogno e cedro. Porém, o longo período sem vigilância em que permaneceram depositadas na água, favoreceu o roubo das melhores e maiores toras. Isso se repetiu em  São Félix do Xingu (PA), Novo Progresso (PA) e Juína (MT).

Por esses motivos, a Comissão Especial propôs uma nova forma de destinação do mogno – a doação com encargos. Por essa modalidade, a instituição que receberia os lotes deveria retirá-los do local em que estavam depositados, contratar uma empresa com certificação internacional emitida pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC) para processá-los e providenciar a exportação, para que o mercado interno, dominado pelas empresas fraudulentas, não se beneficiasse do resultado da doação. Os recursos obtidos deveriam ser aplicados em um Fundo em que apenas os rendimentos financeiros fossem usados para apoiar projetos de proteção ambiental, inclusão social, atenção às áreas indígenas e o uso sustentável dos recursos naturais nas comunidades de onde o mogno foi retirado ilegalmente. O valor principal da comercialização do mogno, cerca de R$ 4,7 milhões, deu origem ao Fundo Dema, que existe até hoje e sua aplicação, bem como toda a documentação e relatórios comprobatórios, estão disponíveis no site da FASE: [http://www.fase.org.br/v2/pagina.php?id=1700].

Todas essas condições estão estabelecidas no Termo de Doação assinado pelo Presidente do IBAMA, representante da FASE e Subprocuradora-Geral da República representando o Ministério Público Federal [doc 4].

Todo os procedimentos e compromissos constantes no Termo de Doação foram monitorados pelo IBAMA e pelo Ministério Público Federal. O IBAMA acompanhou todo o transporte das toras até a serraria, o beneficiamento da madeira, o transporte da madeira serrada até Belém e seu embarque no porto. A  FASE prestou contas das suas ações por meio de relatório encaminhado ao IBAMA no final do processo [doc 5] e uma empresa de auditoria foi  contratadas para analisar as operações de campo, trâmites financeiros e a prestação de contas [doc 6]. Verificada a lisura de todos os procedimentos, o IBAMA emitiu Termo de Quitação para a FASE e o Ministério Público Federal emitiu ofício certificando que a FASE cumpriu com todas as obrigações impostas pelo IBAMA e endossadas pelo MPF [doc 7].

Além da participação ativa do Ministério Público, o Poder Judiciário manifestou-se diversas vezes pela legalidade dessas ações, sempre que questionado por aqueles incorformados pela ação fiscalizatória do Estado. Primeiro, através do Juíz Federal da Subseção Judiciária de Santarém, que indeferiu pedido para que fossem depositados em juízo os valores obtidos com a comercialização do mogno. Incorformados com essa decisão, apelaram ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região e tiveram suas pretenções novamente negadas pela Desembargadora Federal Selene Maria de Almeida [doc 8].

Desde a sua criação, o Fundo Dema tem tido sua credibilidade corroborada por diversas instituições de respeito. Por exemplo, o Juizado de Altamira passou a destinar o valor auferido com multas por infração ambiental ao Fundo Dema. Em 2005, a Fundação Ford doou R$ 2,2 milhões ao Fundo. E em março de 2011, o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, aprovou projeto apresentado pelo Fundo Dema no valor de R$ 9,3 milhões.

Em termos substantivos, esse conjunto de iniciativas debelou o mercado de mogno ilegal no Brasil, ajudando assim a acabar com o desmatamento ilegal, a corrupção, a intimidação de agentes públicos e membros da sociedade civil e até mesmo os assassinatos que historicamente estão associados com a extração e comercialização dessa espécie.

Como era de se esperar, dossiês apócrifos foram à época encaminhados ao Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da República e outros órgãos de fiscalização e da grande imprensa.

Ao receber cópia de um desses dossiês, o Tribunal de Contas da União abriu uma Auditoria Especial e, ao fim da verificação dos trâmites processuais, concluiu pela legalidade dos procedimentos, fazendo recomendações para aperfeiçoar o processo [doc 9].

Em sua manifestação, o tribunal afirmou: “No que se refere à doação efetuada à FASE, acompanho o entendimento da Unidade Técnica, no sentido de não ser razoável desenvolver-se qualquer raciocínio voltado para se promover a anulação ou o cancelamento do ato, tendo em vista os prejuízos que poderiam advir a terceiros de boa-fé envolvidos na operação. Os elementos disponíveis, ademais, não permitem conclusão segura quanto a se o montante de valor obtido com a alienação da madeira doada foi o desejável ou se poderia ser melhor. Diante desse quadro, entendo como apropriada a proposição de que se determine ao Ibama o acompanhamento passo a passo das atividades desenvolvidas com os recursos obtidos com a venda do mogno doado.”

Alguns veículos de comunicação têm escolhido dar destaque às ressalvas feitas pelo TCU, como a ausência de licitação para escolha da instituição beneficiada, por exemplo. Mas esses mesmos veículos não deixam clara a conclusão daquele órgão que, para o bem da verdade, aqui reproduzo: “Tendo em conta, de um lado, as autorizações constantes do art. 25, § 2º, da Lei nº 9.605/98 e do art. 17, inc. II, alínea a, da Lei nº 8.666/93, no sentido de que a madeira apreendida possa ser  doada e, de outro, as circunstâncias descritas logo acima, creio que não poderia ser exigida conduta diversa dos gestores, naquela situação concreta. Considero, entretanto, haver o procedimento comportado diversas falhas, que necessitam ser doravante corrigidas, nas alienações de madeiras apreendidas que se verificarem doravante.”

Apesar dessas acusações falsas já terem sido investigadas por várias instituições do Poder Executivo, Judiciário e pelo Ministério Público, não me furtarei a solicitar que mais uma vez o Ministério Público Federal investigue essas operações e verifique a legalidade, transparência e lisura dos atos praticados pelos agentes públicos envolvidos, principalmente a minha participação e a de meu marido.

Peço também a todos vocês que analisem detidamente os fatos aqui apresentados e formem juízo de valor em relação à minha conduta.

Marina Silva, 53, ex-senadora do Acre pelo PV, foi candidata do partido à Presidência da República nestas eleições e ministra do Meio Ambiente do governo Lula (2003-2008).

Postado em 14/05/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Marina vai ao MP para pedir que acusações contra ela e seu marido sejam investigadas

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A ex-senadora Marina Silva (PV-AC) entrará nesta segunda-feira, dia 16, com representação no Ministério Público Federal para que sejam investigadas as acusações de que seu marido, o técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, teria envolvimento com irregularidades em negócios que envolveriam órgãos federais vinculados ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), durante a gestão de Marina (2003-2008).

A própria Marina também pedirá para ser alvo das averiguações da Procuradoria, já que foi acusada, pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator das mudanças no Código Florestal, de agir em favorecimento de seu marido para impedir que ele fosse convocado a depor na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados sobre sua suposta participação em fraudes.

De acordo com a ex-presidenciável, sua iniciativa decorre “da profusão de denúncias requentadas que surgiram nos últimos dias nos meios de comunicação e da transformação de suas versões em fatos, sem que me tenha sido assegurado o direito de ter o mesmo espaço para que eu possa apresentar à opinião pública os meus esclarecimentos”.

“Quando se está na vida pública, não basta dizer que é você é inocente. Não basta fazer apelos para as pessoas acreditarem que você fala a verdade. Por isso é fundamental que cada denúncia seja investigada para comprovação da inocência ou da culpa por uma instituição que busca a isenção e tem por objetivo defender o interesse público, o Ministério Público Federal (MPF)”, afirma Marina.

Assim, nesta segunda-feira, às 18h30, a ex-ministra do Meio Ambiente se reunirá com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na sede do MPF, para lhe entregar representação com pedido de abertura de apuração de cada denúncia em que  ela e seu marido são citados.

Convicta de que a verdade dos fatos será revelada, Marina aponta que as acusações levianas feitas pelo deputado Aldo Rebelo e outros têm origem em dossiês apócrifos que circularam nos corredores do Congresso Nacional e foram parar nas mãos de alguns jornalistas durante sua passagem no MMA. “Foi uma campanha difamatória, retomada agora.”

“Os autores dessas falsas informações são aqueles que tiveram seus interesses espúrios contrariados por minha decisão de, à frente do Ministério do Meio Ambiente, combater o comércio ilegal de madeira e o desmatamento criminoso na Amazônia”, diz.

Marina relembra que, com o apoio da Polícia Federal e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), foram presas mais de 700 pessoas envolvidas em crimes, apreendidos 1 milhão de metros cúbicos de madeira ilegal,  aplicadas mais de R$ 4 bilhões em multas, além de  o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) ter inibido a grilagem cerca de  35 mil propriedades.

Em vídeo no YouTube (http://migre.me/4xrmv), a ex-senadora apela para que seus simpatizantes  divulguem a sua defesa, com base em informações que têm apresentado aqui no site/blog.

“Tudo tem sido feito de forma leviana e mentirosa com o objetivo de calar a minha voz no debate promovido pelo Congresso Nacional sobre as mudanças no Código Florestal e, assim, promover um grande retrocesso em prejuízo da proteção das florestas e do interesse do Brasil”, conclui Marina.

Postado em 14/05/2011 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Marina Silva pede investigação do Ministério Público

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A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV-AC) responde às agressões e denúncias levianas feitas pelo deputado Aldo Rebelo e anuncia decisão de ir ao Ministério Público para pedir ampla investigação.