Em café da manhã na casa da socióloga Neca Setubal, em São Paulo, formadoras de opinião que apoiam a candidatura de Marina Silva à Presidência resolveram fazer uma força-tarefa no último mês da corrida eleitoral.
“No mundo complexo que a gente vive, com tantos desafios, você precisa de lideranças que sejam catalisadores e não só apenas lideranças que tenham firmeza”, afirmou Thais Corral, membro do Conselho Executivo do Instituto Akatu, dedicado ao consumo consciente.
Para Thais, a candidata à Presidência pelo PV traz o feminino para a política atual, “uma visão do que a gente chama da importância da parceria”.
E a discussão sobre a contribuição do feminino na sociedade foi a tônica da conversa de Marina com as mulheres presentes.
“Eu digo que, em milhares de anos, a civilização caminhou manca, apenas com a perna do masculino. Não é que seja uma coisa ruim a perna do masculino. O ruim é que não tinha a perna do feminino. E para que a gente pudesse parar de mancar – e a gente ainda está mancando em vários aspectos – teve que nos últimos cem anos acontecer um esforço muito grande”, analisou a candidata.
“Depois de tantos anos em que a gente sabe que pode ocupar a cena como sujeito, cria um certo incômodo a tentativa de sempre estar sendo colocado como se alguém é que está nos chancelando”, explicou ao falar do que acontece na política ou nas empresas quando mulheres tomam cargos de relevância por indicação.
Marina acrescentou que o problema não está na chancela do trabalho feminino. O caso é que essa aprovação deve vir quando a própria mulher se coloca. “Sempre há formas de colocar o feminino na cena, mas desde que ele não se coloque por ele mesmo. E é isso que incomoda.”
Também presente no evento, Maria Nadir, empregada doméstica da família Setubal que ajudava a servir os convidados, afirmou queseu voto iria para Marina e que gostou das ponderações da presidenciável. “Me chamou atenção porque ela fala a minha língua. Ela fala a língua do povo. Ela não rodeia.”