Presidente dos EUA promete investimentos e leis para a área, mas estudo do governo mostra que ainda é pouca a participação da ‘economia verde’
WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou ontem, no 40.º aniversário do Dia da Terra, o uso de energia ambientalmente correta para a preservação do planeta. Ele também lembrou dos avanços feitos pelo paÃs nessa área, nas últimas quatro décadas. Mas um novo relatório do governo mostrou que a participação dos produtos e serviços “verdes” na economia dos EUA não passou de 2% em 2007.
O Dia da Terra é celebrado desde 1970, ano em que o senador democrata Gaylord Nelson, representante do Estado de Wisconsin, no norte do paÃs, chamou a atenção para a necessidade de ações a favor do meio ambiente. Hoje, esse chamado em defesa do planeta é celebrado em todo o mundo, mas os resultados práticos dessa preocupação ainda estão por aparecer.
“Devemos continuar trabalhando para tornar realidade o sonho de uma economia baseada nas energias limpas e entregar à s nossas crianças um mundo mais limpo e seguro que aquele que encontramos”, disse Obama em comunicado difundido pela Casa Branca.
O presidente americano também citou progressos no perÃodo, como a aprovação de leis que reprimem a contaminação da água, do ar e das paisagens naturais. Também prometeu aprovar uma legislação “exaustiva” sobre energia e ambiente, que “mantenha a salvo o nosso planeta”, citando “um crescimento econômico a longo prazo”.
Participação minúscula. Mas um relatório lançado anteontem pelo Departamento de Comércio do paÃs indica que os produtos e serviços ambientalmente corretos tiveram participação de 1% a 2% na economia americana em 2007. Ou seja, passaram de US$ 371 bilhões a US$ 516 bilhões. O número de empregos verdes também foi modesto: as vagas ligadas a economia verde teriam ocupado apenas 1,5% do total do setor privado. A projeção é considerada otimista, pois um outro estudo, do Pew Environmental Trust, estima essa participação em apenas 0,5%.
Quase 80% dessas vagas estariam nas áreas de conservação de energia e controle da poluição. Apenas 2% dos empregos verdes estariam no campo das energias renováveis, diz o estudo do governo.
Ainda é cedo para ter uma noção da decisão de Obama de investir cerca de US$ 90 bilhões dos US$ 787 bilhões que compuseram o pacote de estÃmulo à economia no ano passado, pois os censos econômicos nos Estados Unidos são feitos apenas a cada cinco anos.
Nova legislação. Na segunda-feira, os senadores democratas John Kerry e Lindsey Graham e o independente Joe Lieberman pretendem apresentar uma proposta bipartidária para uma legislação centrada em produção de energia limpa e prevenção às mudanças climáticas que inclui a criação de 2 milhões de empregos e a redução de 2 milhões de toneladas de material contaminante na natureza.
Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos paÃs, esse é o montante de equipamentos eletrônicos usados, que podem conter substâncias tóxicas como chumbo e mercúrio, jogados fora por ano.
No fim de semana, em Washington, o tema será lembrado em shows gratuitos de artistas como Sting. Também está previsto um discurso do reverendo Jesse Jackson, com a participação do cineasta James Cameron (Avatar) e da escritora Margaret Atwood.
CRONOLOGIA
Ações recentes
Março de 2001
Bush contra Kyoto
O então presidente dos EUA não ratifica o Protocolo
de Kyoto.
Novembro de 2007
Ação humana
Relatório do IPCC diz que ação do homem causou o
aquecimento global.
Maio de 2009
Automóveis
Obama anuncia regras mais severas para as emissões dos veÃculos automotores.
Texto publicado originalmente no jornal O Estado de S.Paulo, no dia 23 de abril de 2010.
24/04/2010
Prezada Senadora Marina Silva:
Assim que soube de sua candidatura decidi que meu voto seria seu. Mas agora estou muito preocupada com suas afirmações de, caso eleita, manter a polÃtica econômica surgida com FHC e mantida com poucas ou nenhuma alteração por Lula, o que considero um erro. Essa polÃtica é muito mais do que equivocada é um crime contra o Brasil. O que é bom para o mercado, em geral, não é bom para a gente. Fiquei ainda mais preocupada com sua posição pouco clara, leniente até, com a construção da Represa de Belo Monte. Sua candidatura deveria ser de fato um diferencial, uma nova posição, uma nova maneira de ver o mundo e o Brasil. Para continuarmos o que temos e que, em absoluto, não me agrada, tanto faz votar na Dilma ou no Serra. As diferenças entre eles é muito mais de forma do que de conteúdo. Esperava que aÃ, como opção à mesmisse, entrasse sua proposta, como uma esperança de algo real, diferente, e principalmente, melhor.
Atenciosamente,
C. D. Novaes