O que sabemos hoje sobre os danos causados pelo cigarro e pela produção de tabaco na saúde das pessoas e na biodiversidade nos obriga a buscar uma nova forma de lidar com o problema.
Já existem dados e pesquisas suficientes não só para desestimular o consumo e a produção do fumo, mas para garantir ambientes 100% livres do tabaco. É por isso que meu parecer é pela aprovação do projeto do senador Tião Viana, que segue nesta direção. A proposta (PLS nº 315/08), que vem provocando muita discussão, foi discutida hoje (02/12) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.
O cigarro é um grave problema de saúde pública. Os números são assustadores. O fumo mata mais que a AIDS, a malária e a varíola juntas, segundo o Ministério da Saúde, que registra a morte de cerca de 200 mil pessoas em decorrência dele por ano.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) não são menos alarmantes. Nos últimos 30 anos, o cigarro foi responsável por um milhão de óbitos e deve provocar, nos próximos 15 anos, mais de sete milhões de mortes. Recente pesquisa do IBGE revela que há 24,6 milhões de fumantes no Brasil.
Do ponto de vista ambiental, o fumo é igualmente destrutivo. Florestas inteiras são devastadas para alimentar os fornos à lenha que secam as folhas antes de serem industrializadas. E para a obtenção de safras cada vez melhores, os plantadores de fumo usam agrotóxicos em grande quantidade, causando danos à própria saúde e ao ecossistema.
E o que dizer das sobras? Os filtros atirados em lagos, rios, mares, florestas e jardins demoram muitos anos para se degradarem. Quando não provocam incêndios ou a morte de peixes e plantas aquáticas.
Para os que não fumam, mas estão expostos à fumaça do cigarro, os prognósticos não são nada alentadores. Dados científicos divulgados pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) comprovam que a fumaça assimilada pelo fumante passivo – que se expõe involuntariamente ao fumo – tem três vezes mais nicotina e 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a expirada pelos tabagistas.
Em um recinto fechado onde o fumo é permitido, ao fim de oito horas, o não-fumante terá consumido o equivalente a dez cigarros, aumentando em até duas vezes a chance de contrair câncer de pulmão.
Temos ainda que considerar as conseqüências do cigarro para os cofres públicos e privados. Para se ter uma idéia, relatório do Banco Mundial aponta que, de 1996 a 2005, houve mais de 1 milhão de hospitalizações relacionadas ao tabagismo no SUS, com custos em torno de meio bilhão de dólares.
Por sua vez, não há estudo legítimo sobre impacto econômico que demonstre efeito negativo sobre a indústria hoteleira, de turismo, vendas ou qualquer que seja a atividade quando uma lei antifumo passa a vigorar.
Em 2003, o Brasil assinou a Convenção-Quadro para o controle do uso do tabaco. Foi o primeiro tratado internacional de saúde pública com o objetivo de “proteger as gerações presentes e futuras das devastadoras conseqüências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas geradas pelo consumo e exposição à fumaça do tabaco”.
É verdade que já temos a Lei nº 9.294/96, impondo restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos. Mas ela precisa ser atualizada. Não só para ajustar-se aos preceitos e diretrizes da Convenção, mas para garantirmos ambientes 100% livres da fumaça do tabaco, única estratégia eficaz para eliminar a exposição à fumaça do tabaco em ambientes fechados.
A medida, que já vem sendo adotada em muitos estados, como São Paulo, vai ao encontro dos anseios da população brasileira. Segundo pesquisa realizada pela organização não-governamental Aliança de Controle do Tabagismo (ACTbr), 88% dos brasileiros são contrários ao fumo em locais coletivos fechados.
As leis devem assegurar igual proteção a todos. O direito de fumar, tão defendido por alguns como exercício da liberdade do indivíduo, não pode ser justificativa para que não adotemos leis que garantam aos não-fumantes o exercício do direito a um meio ambiente sem poluição de tabaco e à preservação de sua saúde.
Publicado originalmente no Terra Magazine.

08/04/2010
Engraçado… Pois pra mim Marina ganhou!!! Meu voto e de muitas outras pessoas! É incoerente que os estabelecimentos desrespeitem o direito da grande maioria da população (não fumante) para satisfazer o egoísmo de uma pequena minoria de viciados. E felizmente os argumentos dos indivíduos pró-vício se perdem diante do fato incontestável de que o fumo só traz malefícios. Talvez a indústria do tabaco um dia consiga achar um benefício… por que será? E por que será também que os tabagistas usam muito o pronome EU? Argumentos devem ser baseados em dados que digam respeito a uma população! É, eu sei… Aí fica difícil, pois o número de mortes causadas por esse vício, os gastos públicos e o sofrimento das famílias de tabagistas atrapalham qualquer argumentação! Mas cada um tem o direito de fazer o que quiser, desde que esse direito não invada o do seu semelhante!
Parabéns Marina!!
17/03/2010
Completando:
Diz:
“Do ponto de vista ambiental, o fumo é igualmente destrutivo. Florestas inteiras são devastadas para alimentar os fornos à lenha que secam as folhas antes de serem industrializadas. E para a obtenção de safras cada vez melhores, os plantadores de fumo usam agrotóxicos em grande quantidade, causando danos à própria saúde e ao ecossistema.”
Perfeitamente. E quanto ao carvão usado para faze o churrasco. Em que condições socio-ambientais são obtidos? Alguém aí por acaso ja viu algum livro de fotos, como o do Sebastião Salgado (esqueci o nome), mostrando as condições dos trabalhadores e os danos que causa?
Não conheço nada parecido em relação às plantações de fumo.
E o que dizer das sobras? Os filtros atirados em lagos, rios, mares, florestas e jardins demoram muitos anos para se degradarem. Quando não provocam incêndios ou a morte de peixes e plantas aquáticas
Aqui eu concordo. Mas EU nunca joguei uma guimba de cigarro no chão. Em minha opinião os filtros de cigarro são equiparados a essa imensa quantidade de embalagens plásticas que existem por aí.
Bom, para demonstrar boa vontade, eu posso parar de fumar cigarro e só fumar cigarrilhas ou charutos, que não têm filtro. São envoltosunicamente na folha do fumo.
17/03/2010
Esse apoio dela ao PL 315 (Tião Viana, PT/AC) custou foi o MEU VOTO. Meses atrás eu votaria nela. Hoje não voto mais, porque pisou nos meus calos, igual ao serra.
Não aceito esse pretexto que estão protegendo a saúde dos funcionários, porque se isto fosse verdade, a coerência diz que teriam de pregar então o fechamento das churrascarias. Nestes lugares os funcionários inalam fumaça de carvão o dia inteiro. E aí? Vocês sabiam que a fumaça de carvão possui compostos cancerígenos, como os benzopirenos? Mas contra isto, ninguém se manifesta.
Se pesássemos numa balança de pratos a quantidade de carvão necessária para se preparar um churrasco, quantos cigarros seriam necessários para se colocar no outro prato para os igualar? Mas isto ninguém diz nada…
Ah, já sei. Vocês vão dizer que existem os exaustores para retirar a fumaça do carvão. Mas, ora, então neste caso vocês admitem que existem sistemas de exaustão eficazes? Aí então cai por terra a argumentação que não pode existir os fumódromos, por não existirem sistemas de exaustão 100% eficaz.
( “…mas para garantirmos ambientes 100% livres da fumaça do tabaco, única estratégia eficaz para eliminar a exposição à fumaça do tabaco em ambientes fechados…”)
E aí?
Dizem que a maioria da população apoia as medidas: (“Segundo pesquisa realizada pela organização não-governamental Aliança de Controle do Tabagismo (ACTbr), 88% dos brasileiros são contrários ao fumo em locais coletivos fechados.”)
A fonte é a ACTBR? Então perguntem agora para a FumantesUnidos o que vocês verão resultados diferentes. Só porque quem escreveu foi um não-fumante, então só vale a pesquisa realizada por um dos lados? Sejam mais imparciais!
Bom, para finalizar: Marina perdeu!
Meses atrás, eu votava nela, hoje não voto mais.
Quem também perdeu foram os BARES E RESTAURANTES SIM!, porque eu agora boicoto esses lugares. Só bebo em quiosques de rua. Assim como não gasto mais UM CENTAVO em shopping centers, exceto nas tabacarias..
Marina silva = josé serra