Postado em 08/02/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Artigos

Impasses de Belo Monte

11 Comentários


Perto de Altamira, no Pará, o rio Xingu desenha uma grande curva, semelhante a uma ferradura. Nessa região, conhecida como Volta Grande do Xingu, está prevista a polêmica construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cuja licença prévia acaba de ser concedida pelo Ibama.

A obra tem proporções gigantescas. A quantidade de terra e pedra a ser retirada é quase comparável ao que foi removido na construção do Canal do Panamá. Pelo leito do rio passa uma vazão, no período de cheia, correspondente a quatro vezes a vazão das Cataratas do Iguaçu.

Os impactos socioambientais terão a mesma ordem de grandeza. Apenas a eficiência energética da usina não será tão grande. Uma obra que deverá  chegar a 30 bilhões de reais – somado o custo da transmissão –, terá capacidade instalada para gerar, em média, 4.428 MW. E não os 11.223 MW anunciados. A energia média efetiva entregue ao sistema será de 39% da capacidade máxima de geração, enquanto a recomendação técnica é de pelo menos 55%.

Para isso, seria preciso construir outras três usinas na bacia do Xingu, com a função de regularizar a vazão do rio. Foram descartadas pelo governo porque estão projetadas para o coração da bacia, onde 40% das terras são indígenas. Mas há forte desconfiança de que acabarão sendo feitas.

A população indígena ficará prensada nas cabeceiras dos rios da bacia, em processo acelerado de exploração econômica e desmatamento. O plano de condicionantes nem menciona a regularização das Terras Parakanã e Arara, já bastante ameaçadas. E a barragem, além de interromper o fluxo migratório de várias espécies, vai alterar as características de vazão do rio.

É incrível que um empreendimento com tal impacto não tenha planejamento adequado para o uso e ocupação do território. A obra deverá atrair mais de 100 mil pessoas para a região. Como dar conta de tal adensamento populacional no meio da floresta amazônica, sem um bom Plano de Desenvolvimento Sustentável?

O Brasil tem importante potencial hidrelétrico. Mas a indisposição em discutir a sustentabilidade das obras de infraestrutura na Amazônia, somada à percepção de que o governo não faz o suficiente para melhorar a eficiência do sistema como um todo e investir em energias alternativas, acaba por produzir conflitos agudos e processos equivocados, que poderiam ser evitados.

Marina Silva é professora de ensino médio, senadora (PV-AC) e ex-ministra do Meio Ambiente.

Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo.

Comentários

  1. Omega Railmaster
    01/05/2010

    But second I suffer with befall to conjecture that the in the main area is an poser, a inoffensive puzzle that is made disagreeable via our own fanatical attempt to interpret it as though it had an underlying truth.

  2. Omega James Bond
    30/04/2010

    But in the present climate I suffer with come to assume trust to that the whole area is an mystery, a harmless puzzle that is made grave by our own mad try to interpret it as yet it had an underlying truth.

  3. talves para algum torneiro mecanico o importante é ver seu torno funcionando não importa de onde venha esta energia eltrica

  4. Carlos Musfeldt
    16/02/2010

    Estimado Paulo: “el síndrome de megalomania”, no es solo chino…ni tampoco “hacer grandes obras para campañas”, especialidad de Maluf (que no defiendo en nada)…también son “vicios” políticos-económicos en muchas partes del Mundo…hay muchos ejemplos en America Latina.
    Dulce: casi todo! lo que se extrae y se produce en Amazonas,NO es para la región.
    Es “el Planeta Pandora” de todo Brasil.
    Aurimar y Ricardo:mientras no existan sistemas de valorización económica, como los que proponen la economía ecológica para evaluar la destrucción/degradación ecosistémica, y la economía a escala humana o social, para evaluar los costos o beneficios comunitarios-sociales, con sus respectivos indicadores; dentro de los esquemas del estudio y evaluación del impacto ambiental…estaremos hablando de “obras artificiales” (‘artificios’ que se imponen al hombre y la naturaleza, sin considerar su estado y potencial).
    A todos: es un despropósito absoluto!!, semejante obra, que según principios de sustentabilidad (teniendo en cuenta el futuro y no solo el presente), produce más pérdida, que ganancia. Hay que impulsar urgentemente!, SGA y EE (eficiencia energética), primero en todos los ámbitos (entidades estatales y empresas) masivos, y segundo, en las unidades domésticas…así el sistema enérgetico tendrá un ahorro sustancial. Al mismo tiempo,reproducir las tecnologías y energías alternativas… incluyendo la microhidroelectrica en red para poblaciones rurales.

  5. Gilson E. do Couto
    12/02/2010

    Considerando que a tecnologia nuclear está avançando, por extensão, a segurança das usinas também. As Usinas Termo-nucleares não são uma opção para a matriz energética?
    É claro, primeiramente o Brasil precisa investir em fontes de energias “limpas” como a eólica e solar.

  6. Ricardo Machado
    10/02/2010

    A gestão de custos ambientais deve ser avaliada dentro de uma esfera econômica abrangente, onde não se leve em consideração apenas seus interesses, mas também os interesses da coletividade, o povo brasileiro todo irá financiar o lucro imediato das empreiteiras e o lucro em longo prazo das empresas mineradoras, mas não receberá os benefícios, pois parte dos lucros será remetida ao exterior,as mineradoras , cujo projeto é exportar energia barata em forma de alumínio, e o lucro estará concentrado na mão de poucos. De quebra, o povo brasileiro ainda arcará com os custos ambientais

  7. Aurimar Viana
    10/02/2010

    O custo de oportunidade dessa obra será proibitivo, pois os investimentos jamais mitigarão a destruição da biota.

  8. Mariana Coimbra
    09/02/2010

    Miolo Firme, esses dados estão nos relátorios da Eletrobras. Vc os encontra no site da empresa. Veja em arquivos. Espeficamente nos dois primeiros estudos. Tente clicando aqui: http://www.eletrobras.gov.br/ELB/main.asp?View=%7B46763BB8-3B05-432F-A206-C8F93CC3BA90%7D
    Outra coisa, esses números já foram apresentados pelo próprio governo.

  9. Miolo Firme
    08/02/2010

    Gostaria de saber com que base são constestadas as informações do 3º paragrafo.
    Grato.

  10. Dulce Vasconcellos
    08/02/2010

    A que região se destina a energia a ser gerada por Belo Monte (a própria Amazônia, sozinha, é que não haverá de ser…)?
    Quais seriam as alternativas mais razoáveis para atender a demanda dessa região consumidora?

  11. Paulo Cabelo
    08/02/2010

    Tenho a impressão de que impacto ambiental (e social) não é uma preocupação para os defensores da Belo Monte. Na verdade, a questão ambiental em todas as obras é sempre vista como um entrave e não como uma condição a ser incluída no planejamento. Há nessa construção uma “síndrome de megalomania chinesa”, e também uns bons toques de malufismo: grandes obras para se lembrar em campanhas.

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Postado em 08/02/2010