Postado em 23/02/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

Dúvidas sobre o Projeto Ficha Limpa

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O post recente sobre o Projeto de Lei Ficha Limpa gerou perguntas e comentários de usuários pelo Twitter. São questões relevantes e que refletem o pensamento de muitas pessoas. Vamos às respostas:

PERG: Como evitar injustiças? Se eu não gostar da senhora e processa-la, o seu nome vai ser citado no ficha suja. Como evitar isso?

RESP: Essa preocupação é legítima, mas o projeto só pune quem for condenado em primeira instância ou tiver a denúncia recebida por um juiz de segunda instância. Alguns argumentam que o projeto não respeita a presunção de inocência até tramitação final do processo, que é um princípio constitucional, e coloca a decisão de condenação nas mãos de um único juiz. Isso é verdade, mas precisamos considerar que devem ser feitas exigências rígidas para quem quer ocupar funções públicas de representação tão importantes. O Ficha Limpa é um solução que procura barrar na porta de entrada aqueles que não são coerentes com a ética pública. Como ele está na Câmara e ainda voltará para o Senado, poderá ser aperfeiçoado para servir a esse propósito sem prejudicar inocentes. O mais importante é preservar o espírito do projeto e o mérito desse grupo que se articulou e colheu mais de um milhão de assinaturas, motivado pelo desejo de combater a corrupção entre políticos.

PERG: Gostaria muito de ter o seu otimismo ou o da sua equipe. Mas seria como pedir ao cabrito pra cuidar da horta.

Nem todos os políticos têm interesses escusos. Obviamente será mais difícil que o Ficha Limpa seja aprovado porque ele fere interesses de uma parte dos parlamentares. Há uma maioria que é contra e por isso ele está patinando no Congresso, não consegue tramitação, tem uma série de medidas protelatórias. Toda vez que vai para votação, alguém pede vista. Agora, por outro lado, este é um projeto que chegou sustentado por mais de um milhões de assinaturas de eleitores, isso não pode ser ignorado. Se a sociedade continuar se manifestando favoravelmente, será difícil ignorá-lo.

Postado em 22/02/2010 por Marina | Categoria(s): Geral

Etanol brasileiro ganhará com certificação independente

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A seção Notas e Informações do Estadão na última quinta (18) incluiu uma análise sobre a decisão favorável da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos em relação ao etanol brasileiro. É uma notícia positiva porque representa a abertura de oportunidades comerciais para o país a partir da exportação de um produto que polui bem menos que a gasolina.

Os empreendimentos mais novos já estão melhor ajustados aos critérios de sustentabilidade. Eles têm menos efluentes lançados à atmosfera, menos consumo de água por volume de etanol produzido, maior produtividade de cana por hectare de terra e de açúcar por tonelada de cana, além de oferecer melhores condições sociais aos trabalhadores e cuidados com o meio ambiente.

Ainda há campo para melhorar. O etanol brasileiro é criticado internacionalmente por dois motivos. Em algumas propriedades – isso não é exclusivo da lavoura de cana, conforme mostra esta pesquisa – os produtores usam trabalho em condições análogas à escravidão. Outra preocupação é que a cana, por ser mais lucrativa que o gado na região Amazônica, esteja tomando o espaço desmatado originalmente para a pecuária, forçando os criadores a desmatar novas áreas.

A solução para assegurar que isso não ocorra é reforçar o papel da certificação independente do etanol. É isso que garantirá que uma série de critérios de sustentabilidade estejam sendo cumpridos, particularmente evitar que ocorra trabalho infantil e em condições análogas ao trabalho escravo, não prejudicar a produção de alimentos e não aceitar que a produção ocorra em áreas de proteção ambiental como o Pantanal e áreas que tenham sido floresta até uma data recente.

Postado em 20/02/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

Marina pede que Senado discuta política de mudanças climáticas com a sociedade

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A senadora Marina Silva (PV-AC) apresentará ao Senado Federal, na próxima semana, requerimento pedindo a realização de audiências públicas para que os senadores discutam com a sociedade brasileira o problema da adaptação do Brasil aos efeitos negativos das mudanças do clima, especialmente no que refere à saúde pública.

Ao anunciar sua decisão, em pronunciamento feito no plenário do Senado, na manhã desta sexta-feira (19-02), Marina Silva disse que é urgente a implementação da Política Nacional de Mudanças Climáticas –aprovada em lei em dezembro do ano passado -  especialmente no que trata das ações de adaptação aos efeitos nocivos das mudanças do clima.

“Mesmo diante de tão preocupantes fatos e desastres naturais, ainda não vemos nenhuma autoridade do governo federal se dispondo a iniciar esse processo de formulação de uma estratégia nacional de adaptaçãoâ€, destacou a senadora.

Em pronunciamento de quase meia hora, Marina Silva lembrou que, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática da ONU (IPCC), as mudanças do clima afetarão a saúde do homem de várias formas. Diretamente, com efeitos físicos de eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, inundações, furacões e secas prolongadas. Indiretamente, com o aumento da insegurança alimentar, com efeitos nas populações de vetores de doenças e com agravamento das condições de saneamento, entre outras formas.

Para reforçar a importância da implementação das ações de adaptação aos efeitos negativos das mudanças do clima, a senadora destacou estudos científicos que apontam, entre outras conseqüências, o aumento da reprodução de insetos transmissores de doenças, como a malária e a leishmaniose, assim como o aumento dos casos de dengue – o que já ocorre, nos primeiros meses deste ano, em diversos pontos do País, como acontece no Distrito federal.

Mas, ao lado do problema do desequilíbrio climático global, Marina Silva destacou que esses fenômenos têm sido potencializados por diversos fatores locais, como o desrespeito à legislação ambiental, especialmente às áreas de preservação permanente; a devastação das matas ciliares, que leva à erosão do solo e ao assoreamento dos rios; a expansão descontrolada das cidades; a impermeabilização excessiva do solo urbano; e a impunidade e conivência do setor público e de parte da classe política com o descumprimento da legislação ambiental e dos planos diretores das cidades.

Segundo Marina Silva, o País tem uma agenda complexa e urgente para implementar que inclui, por exemplo, estabelecer prioridades em termos de políticas sociais e de proteção e promoção da saúde, que reduzam as vulnerabilidades socioambientais e de saúde. Ela também destacou a importância de mais investimentos em estudos sobre a dinâmica climática, para criar um sistema de alerta que seja capaz de antecipar os riscos de novos desastres. É importante, também, segundo a senadora, modernizar os serviços de saúde, sobretudo nas regiões mais pobres e populosas, assim como modernizar o sistema de defesa civil nacional, para permitir maior agilidade e capacidade de resposta e não deixar que se repitam casos de demora no atendimento de municípios afetados.

A senadora também defendeu a urgência de um programa em larga escala de recuperação das margens dos rios e desimpermeabilização do solo urbano, assim como a realocação de casas em situação de risco e um amplo programa de recuperação das áreas de APP (Ãreas de Proteção Permanente) em situação de vulnerabilidade.

“É fundamental que entendamos que a mudança climática é uma realidade atual e será mais impactante ainda no futuro. O custo de não encararmos com a devida urgência e prioridade essa questão aumentará enormemente o sofrimento das pessoas e os custos para toda a sociedadeâ€, enfatizou Marina Silva, acrescentando que “muitos dos investimentos em infraestrutura que estão sendo realizados, inclusive pelo PAC, podem ser perdidos ou fortemente danificados pela ação dos eventos extremosâ€. Portanto, completou a senadora, “precisamos encarar essa situação como uma prioridade nacionalâ€.

A íntegra da fala da senadora, sem revisão, pode ser lida aqui.